terça-feira, 14 de abril de 2015

Aldeia "fantasma" - Serra da Lousã

Serra da Lousã
(Março 2012)

Tantas vezes por ali tinha passado, naquele caminho, sem dar por ela, em baixo a meio da encosta.



A aldeia abandonada do Franco de Cima. As ruínas da aldeia. Já tinha ouvido falar mas nunca a descobrira. Agora, quando por ali passo torna-se óbvio. Mas, como acontece tantas vezes, o óbvio só o é depois de o ter sido pela primeira vez.


O "descobrimento" começou lá mais em baixo. Por aqui, por este vale, vamos encontrar a aldeia - disse para o meu companheiro Armando. Ele seguiu-me, passámos um ribeiro


e, percebemos que havia por ali um caminho. Seguimo-lo até darmos com os primeiros muros de pedra





Cá estava, o Franco de Cima.


As paredes de pedra das casas ainda de pé mas os telhados caídos. A vegetação cobria as ruínas



Os troncos e raízes das árvores que entravam por portas e janelas, lembrando jibóias, davam a impressão de estarmos na selva Tailandesa num qualquer tempo abandonado (é o que dá ver a National Geographic)


De súbito vem uma chuva miudinha pelo vale acima, uma "morrinha" como costuma dizer o meu pai.  Torna tudo branco e húmido. Começa por salpicar a cara e, lentamente, vai ensopando tudo.


Hora de ir embora, estava encontrado o caminho terrestre para o Franco de cima. Qual Bartolomeu Dias, pedalei dali para fora com a sensação de ter dobrado mais um cabo.

domingo, 12 de abril de 2015

Amarelo e outras cores

Serra da Lousã
(12 de Abril de 2015)

Rapidamente pela serra acima. A ideia é percorrer o caminho sob o vale do Central para ver a urze e olhar para longe. E, talvez, veados.


É um belo caminho a cerca de 950 m de altitude.


O que eu andei pr'aqui chegar.

Ao contrário do habitual, pedalava com pressa pela serra acima. Tinha que passar para o lado de lá. Para o vale entre o Trevim (na fotografia em cima com as antenas) e o seu pico gémeo, o St. António da Neve.


Um bidão de água e um pão com marmelada depois, cheguei. Lá está a povoação do Central, e em cima, o St. António da Neve


A carqueja em flor cobre as encostas. Noutras zonas mistura-se com as torgas lilás.


A ventania que fazia sabia bem, ligeiramente quente trazia aromas misturados das flores que cobriam as encostas. Um cocktail aromático complexo que acompanhou o segundo pão com marmelada.

Depois, há a distância.


O olhar ao longe



domingo, 5 de abril de 2015

As torgas do Açôr

Serra do Açôr
(5 de Abril de 2015)

1200 m de altitude. Ao longe, na linha do horizonte e em direcção Este, o planalto central da serra da Estrela a 2000 m. Mais próximo, à  direita, o picoto da Cebola (o Adamastor do Açôr).
Em primeiro plano, a estender-se por ali fora, as torgas floridas


As torgas e a bike no meio das torgas


Para Sul, ao fundo, em baixo, a barragem de St. Luzia. E as torgas pelo monte abaixo.


Desço por aqui? Pelo meio das torgas?


Para aqui chegar passei lá em baixo, na barragem





sábado, 4 de abril de 2015

Abril na Cebola - Serra do Açôr

Serra do Açôr
(4 de Abril de 2015)

O plano era ir ao Cebola, ao picoto da Cebola, o ponto mais alto da serra do Açôr (1400 m de altitude). A ida ao Cebola a partir do Cabril (pelo lado Este) é deslumbrante. O Cebola vê-se durante quase todo o percurso e, além disso, emoldurado pelo planalto central da serra da Estrela (2000 m de altitude).
O Cebola é uma espécie de Adamastor. Entre duas pedaladas, olha-se em frente e para cima e... lá está ele. Contorna-se um monte, desaparece momentaneamente da vista e, na curva seguinte, ... lá está ele.

A chegada ao Cebola é uma chegada com ganas. Se não, não se chega. A ventania frequente torna a dinâmica da pedalada mais ... bom, mais, ... mais dinâmica.
O planalto da Estrela nas costas ainda com alguns farrapos de neve. Ver os aerogeradores por cima torna-os insignificantes. Eles que vistos de baixo são torres impressionantes com pás de 30 m de envergadura.


Mas a viagem começou pela manhã, com a claridade a entrar na loja da casa


Bike na rua, tudo pronto, vamos.


Pedaladas calmas nos primeiros km, passando pelo vale grande


até à barragem de Santa Luzia e, ... lá está ele, à esquerda, dos 3 picos é o do centro. Por trás, na linha do horizonte ao centro, o planalto central da serra da Estrela.


Continuo por asfalto, a barragem já ficou lá ao fundo. Gosto destes espaços abertos,


de olhar ao longe, da luz do Sol quebrada por nuvens altas, do vento que sopra com genica.


E mil rotações depois eis que se chega aos 1000 m de altitude pelo estradão feito para instalação dos aerogeradores, em velocidade de cruzeiro, a navegar à bolina, contra o vento.
E ... lá está ele, o Cebola, à direita. E, por trás, o planalto da Estrela.


Lá está ele, o pico do Cebola


À esquerda, para Norte, a cumeada do S. Pedro do Açôr. Ao fundo a barragem do Alto Ceira


E ver assim intensamente a urze a florir. E, ao fundo, lá está ele, o Cebola.


E eis que, pedalada após pedalada, se inicia a subida do Cebola. Não há nada que enganar, é ir pedalando e apreciando a paisagem. Na eventualidade de se olhar para cima, facilmente se verifica que a inclinação aumenta com a a aproximação ao topo.


Os aerogeradores começam a ver-se pela parte de cima.


Últimos 10 m. Já está? 


Dizem que daqui se avista um terço do território Nacional. Ainda há duas horas atrás passei lá em baixo na barragem e nos aerogeradores


Para Este, o planalto da Estrela


Fico por ali, sem me cansar de olhar. As pedras e a neblina estranha que vem de Sul 


A urze e os montes e os vales e tudo o resto


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Teoria de probabilidades

Serra da Lousã
(Abril de 2013)

E vai um tipo pela serra acima, a explorar novos percursos pelo vale da ribeira da Fórnea, passa charcos de água, pedala pelo meio de cascalheira e regos de água com inclinações acima dos 15 % e, às tantas, o caminho abre, a pendente fica suave, a luz é mai intensa, as árvores exibem as folhas brilhantes e ... um banco. Um belo banco de madeira, convidativo e inesperado.
A probabilidade de ter encontrado um banco ali seria para mim menor do que ter visto uma manada de elefantes.


Com vistas sobre a ribeira da Fórnea


mas siga, caminho acima, à procura de outras improbabilidades


por entre os verdes escuro da floresta


os contrastes luz/sombra


Até ao cimo da serra, aos azuis do horizonte



Serviço público

Entre Lousã e Vilarinho
(Abril 2103)

Alguém vende vinho. Qual a casta, se estagiou em madeira, se tem um bom final e outros detalhes ... é só ligar.


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Abril entrou luminoso

Serra da Lousã
(2 de Abril de 2015)


As acácias revelam já um amarelo acastanhado, o pico da floração foi há cerca de 3 semanas mas, enquanto que o Sol da tarde as escurece, o da manhã torna-as brilhantes



O contraste do pico do Trevim (a 1200 m de altitude) na linha do horizonte, ao fundo, faz o contraste necessário às acácias em primeiro plano