12 Julho 2015
como quem volta a casa, a respirar fundo.
e a passar nos locais de que e gosta, como o marco geodésico do Espinheiro, a cerca de 700 m,
um planalto aberto, imponente, rude, mas luminoso cujo acesso não é fácil, como convém. Chega-se com esforço
na expectativa da chegada que só se percebe quando já lá estamos
e donde de novo se parte, porque a serra não acaba ali !
Até lá acima, ao Trevim (nas antenas aos 1200 m),
ainda falta subir e atravessar a floresta aos 800 m,
belíssima, com contrastes Sol e sombra e o aroma das pinhas e onde, por vezes, se ouve um resfolhar sem nada ver (veado, javali, esquilo, gineta ...?)
A memória das pedaladas. Foi esta a principal razão. O blog é, assim, uma espécie de dispositivo virtual de reforço sináptico.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
domingo, 19 de julho de 2015
Back to Berlin
Julho 2015
(segundas, breves, cinzentas e magníficas pedaladas por Berlim)
Pois, caro Leonard Cohen, a Manhattan nunca fui mas Berlim está feito: First we take Manhattan ... then we take Berlin.
Ao contrário de há uns dias atrás, hoje o céu estava pesado e cinzento. Mas as cúpulas de cobre das igrejas ficam belas contra o céu cinzento.
Como chuviscava (circunstância que de modo nenhum interferiu no número de ciclistas nas ruas) fiz umas pequenas modificações no equipamento, mantendo, no entanto, o essencial: a calça arregaçada.
Tinha marcado no mapa dois pontos, uma grande rotunda com um monumento no centro e um teatro junto à zona do jardim zoológico, uma das zonas mais "in" de Berlim. Deveria estar a cerca de 10 Km. Já próximo, a pista das bikes seguia por um passeio interno a uma grande avenida ladeada de árvores, e junto ao jardim Inglês (Tiergarten), desaguando na rotunda (Siegessaule).
Da rotunda sai uma avenida até às portas de Brandenburgo, por onde tinha andado uns dias antes.
Hey, that´s my bike !
Aproveitei para uma "performance". Aliás, consegui que automobilistas, ciclistas e até transeuntes abrandassem para assistir à cena triste em que eu tentava tirar uma selfie na rotunda no intervalo em que os semáforos se mantinham verdes.
E dali segui para a zona "chique" junto ao jardim zoológico.
Com lojas muito "in". A única em que entrei foi a Apple store.
Com uma reunião às duas da tarde do outro lado da cidade fiz um plano: é meio dia e meio, como aqui alguma coisa, pedalo que nem um tolo até ao bar do turco na praça Hermann onde aluguei a bike, vou ao hotel, tomo banho, mudo de roupa, apanho o autocarro e às 2h estou lá fresco que nem uma alface. Para abreviar, o plano foi executado quase na totalidade, só falhei o banho (provavelmente na reunião os tipos dos outros países devem ter pensado que o odor ligeiramente a suor deveria ser muito típico em Portugal). Entre tomar banho e chegar atrasado optei pela primeira.
Procurei um sítio para comer e entrei numa praça muito ... envidraçada. Cheirava-me a uma "praça financeira".
e experimentei um almoço belíssimo (de olho na bike à porta) num local bonito.
Saí dali disparado para a praça Hermann, tal como planeado
Às tantas perdi-me. Numa bifurcação tomei a rua errada.
Para cortar caminho em vez de contornar um parque atravessei-o. Perdi referências e saí no local errado. À saída do parque, perguntei a um tipo que me indicasse no mapa a nossa localização. Pergunte aí ao pessoal da fashion week, eles sabem - disse-me ele. Percebi que estava no local da "Berlin fashion week". Ia com tanta pressa para chegar que não reparei na fauna à minha volta. Saíam de carros e carrinhas (como quem descarrega sacos de batatas), umas personagens andróginas com ar petulante, miúdas esqueléticas com andar desengonçado, tatuagens a cobrir corpos ... Andei por ali uns 5 min às voltas a ver a "paisagem" e só percebi que tinha entrado sem "passe" quando um polícia me apitou, indicando a saída do recinto. Foi o único local em Berlim em que não me foi permitido andar de bike, no recinto da Berlim fashion week. Não percebo porquê!
E foi Berlim, uma cidade fantástica.
(segundas, breves, cinzentas e magníficas pedaladas por Berlim)
Pois, caro Leonard Cohen, a Manhattan nunca fui mas Berlim está feito: First we take Manhattan ... then we take Berlin.
Ao contrário de há uns dias atrás, hoje o céu estava pesado e cinzento. Mas as cúpulas de cobre das igrejas ficam belas contra o céu cinzento.
Como chuviscava (circunstância que de modo nenhum interferiu no número de ciclistas nas ruas) fiz umas pequenas modificações no equipamento, mantendo, no entanto, o essencial: a calça arregaçada.
Tinha marcado no mapa dois pontos, uma grande rotunda com um monumento no centro e um teatro junto à zona do jardim zoológico, uma das zonas mais "in" de Berlim. Deveria estar a cerca de 10 Km. Já próximo, a pista das bikes seguia por um passeio interno a uma grande avenida ladeada de árvores, e junto ao jardim Inglês (Tiergarten), desaguando na rotunda (Siegessaule).
Da rotunda sai uma avenida até às portas de Brandenburgo, por onde tinha andado uns dias antes.
Hey, that´s my bike !
Aproveitei para uma "performance". Aliás, consegui que automobilistas, ciclistas e até transeuntes abrandassem para assistir à cena triste em que eu tentava tirar uma selfie na rotunda no intervalo em que os semáforos se mantinham verdes.
E dali segui para a zona "chique" junto ao jardim zoológico.
Com lojas muito "in". A única em que entrei foi a Apple store.
Com uma reunião às duas da tarde do outro lado da cidade fiz um plano: é meio dia e meio, como aqui alguma coisa, pedalo que nem um tolo até ao bar do turco na praça Hermann onde aluguei a bike, vou ao hotel, tomo banho, mudo de roupa, apanho o autocarro e às 2h estou lá fresco que nem uma alface. Para abreviar, o plano foi executado quase na totalidade, só falhei o banho (provavelmente na reunião os tipos dos outros países devem ter pensado que o odor ligeiramente a suor deveria ser muito típico em Portugal). Entre tomar banho e chegar atrasado optei pela primeira.
Procurei um sítio para comer e entrei numa praça muito ... envidraçada. Cheirava-me a uma "praça financeira".
e experimentei um almoço belíssimo (de olho na bike à porta) num local bonito.
Saí dali disparado para a praça Hermann, tal como planeado
Às tantas perdi-me. Numa bifurcação tomei a rua errada.
Para cortar caminho em vez de contornar um parque atravessei-o. Perdi referências e saí no local errado. À saída do parque, perguntei a um tipo que me indicasse no mapa a nossa localização. Pergunte aí ao pessoal da fashion week, eles sabem - disse-me ele. Percebi que estava no local da "Berlin fashion week". Ia com tanta pressa para chegar que não reparei na fauna à minha volta. Saíam de carros e carrinhas (como quem descarrega sacos de batatas), umas personagens andróginas com ar petulante, miúdas esqueléticas com andar desengonçado, tatuagens a cobrir corpos ... Andei por ali uns 5 min às voltas a ver a "paisagem" e só percebi que tinha entrado sem "passe" quando um polícia me apitou, indicando a saída do recinto. Foi o único local em Berlim em que não me foi permitido andar de bike, no recinto da Berlim fashion week. Não percebo porquê!
E foi Berlim, uma cidade fantástica.
terça-feira, 14 de julho de 2015
Depois de Berlim a serra da Lousã
Julho 2015
Por um lado, a chegada de Berlim pela madrugada e as poucas horas de sono e, por outro, mas o que é que isso importa, respira-se o ar fresco da serra, começa-se a pedalar por ali acima e o sono e o cansaço desaparecem com a neblina quando o Sol se levantar.
S. Lourenço, Barraca Preta e Ss de Vilarinho. Sobe-se aos 600 m, apanha-se o estradão a meia encosta e desce-se, de novo, para os 150 m. Entretanto, ... entretanto é isto:
e isto
Por um lado, a chegada de Berlim pela madrugada e as poucas horas de sono e, por outro, mas o que é que isso importa, respira-se o ar fresco da serra, começa-se a pedalar por ali acima e o sono e o cansaço desaparecem com a neblina quando o Sol se levantar.
S. Lourenço, Barraca Preta e Ss de Vilarinho. Sobe-se aos 600 m, apanha-se o estradão a meia encosta e desce-se, de novo, para os 150 m. Entretanto, ... entretanto é isto:
e isto
e por aí fora, no claro e escuro da floresta regulado pelo tipo de folhagem das árvores. Umas vezes mais escuro,
outras mais claras.
domingo, 12 de julho de 2015
Berlim 2015
Berlim, Alemanha
(Julho 2015)
... a cosmopolita Berlim. Os rolos de tecido em cima das couve-flor e dos alhos franceses. E isto imediatamente antes de uma bancada com asas de frango (cru) e logo a seguir a uma outra de artesanato em arame (brincos, pulseiras metal ...), mesmo em frente à das postas de peixe fresco em contentores de esferovite. Se ali tivesse caído de pára-quedas ficaria na dúvida entre Berlim e as feiras em Portugal na época pré-ASAE.
Era um mercado Turco, junto a um canal. Nem as asas de frango, nem as peças de tecido me pareceram tentadoras. Comprei 1 euro de alperces que lavei logo ali numa torneira no meio da rua.
Aluguei a bike por volta das 10 da manhã e o plano era, como habitualmente, muito rebuscado: ter 1 ou 2 pontos de referência e depois logo se via por onde me levariam as pedaladas.
Este era um dos pontos de referência: as portas de Brandeburgo
Eu, que sou um tipo do pop/rock e, mais até, do rock sinfónico, deleito-me com os concertos de Brandeburgo de Johann Sebastian Bach.
O dia estava magnífico. Depois da tempestade que se tinha abatido sobre Berlim na noite anterior, poucas horas após a minha chegada, com chuva torrencial
raios a cruzarem-se no céu de Berlim (lembrava os holofotes que durante a segunda-guerra varriam o céu, procurando aviões inimigos), a manhã estava quente com temperaturas acima dos 30 °C.
Segmentos do "muro de Berlim" era outro dos pontos de referência.
Embora se encontrem pedaços do muro em vários locais como, por exemplo, na praça Potsdamer.
junto ao parlamento
por avenidas centrais mas com pouco trânsito
por avenidas periféricas com carros a grande velocidade
Tive que ir para a periferia da cidade porque queria visitar a maior loja de bikes da Alemanha (a Stadler) !!! Bicicletas no corredor central e equipamento e componentes nos laterais. Decidi que só andaria por ali 1 hora. Cumpri com um erro de cerca de 30%. Talvez 40%.
Pedalei pela tarde dentro
com o Sol já a cair
Tinha que pedalar de volta ao sítio onde alugara a bike (praça Hemann, no bairro Turco). De súbito, para o final da tarde, as ruas encheram-se de grupos de ciclistas que conversavam como se estivessem numa esplanada (provavelmente pessoas vindas do local trabalho). Quer dizer, também há hora de ponta para as bikes !
De súbito começaram a chegar umas nuvens negras e a memória da tempestade da véspera começou a injectar adrenalina nas veias e mais rotação nas pernas. Caso caísse uma chuva torrencial, andar de de mapa numa mão, conduzindo a bike com a outra, a vários km da praça Hermann, tornava a situação ... fluida.
A bike não tinha luz e a tarde morria
Pedalei à bruta de regresso mas, como é sabido pelos pedalantes de duas rodas, pedalar com calças e cuecas com calor durante horas não é propriamente uma boa ideia e a dor entre-pernas e arredores não ajudava.
O céu estava cada vez mais ameaçador. Até que reconheci a avenida com a catedral ao fundo que me levaria ao bar onde aluguei a bike. Um bar de um Turco com quem negociei o aluguer da bike. A mulher fazia o negócio enquanto ele bebericava na esplanada. Dez euros pelo aluguer mais 50 de fiança, disse-me ela. 50 de fiança, eh pá nem penses. Troca de olhares entre mim e ela para medir a convicção. E os olhares da Turcas não são fáceis !!! Tem que ser, diz ela (ah, eu não falo Turco e ela mal arranhava o Inglês). Come on, I´m there at that hotel just in front, disse eu, esboçando um sorriso que tentava ser arrebatador :). Ela (à volta dos 40, muito bonita) franziu ainda mais as sobrancelhas grandes e escuras que lhe marcavam a face. Chamou o gajo que estava lá fora. Falou rapidamente com ele em Turco. Troquei olhares com ele e percebi que tínhamos entendimento. Deve ser alguma coisa que nos está nos genes, este entendimento com pessoas de outras culturas. Temos uma história multi-cultural e isso marcou-nos. Levei a bike sem pagar a fiança.
Quase a chegar e já pingava. Ia repetir-se a cena da noite anterior, seguramente.
Eram 9 menos um quarto. Alugara a bike às 10. Onze horas a pedalar por Berlim. Pareceram-me apenas 2 ou 3. JA chuva entretanto começou a ficar mais generosa.
Entreguei a bike ao Turco com um sorriso que ele me devolveu. Estava de novo a pé. Na praça Hermann. Depois de muitas horas a pedalar na bike, quando desmontamos quase que temos que reaprender a andar. Ficamos descordenados, mexemos as pernas sem convicção e temos que pensar em colocar uma à frente da outra, mantendo o equilíbrio com o tronco.
a chuva era já intensa. Daí a pouco o céu estava de novo incendiado com raios.
(Julho 2015)
... a cosmopolita Berlim. Os rolos de tecido em cima das couve-flor e dos alhos franceses. E isto imediatamente antes de uma bancada com asas de frango (cru) e logo a seguir a uma outra de artesanato em arame (brincos, pulseiras metal ...), mesmo em frente à das postas de peixe fresco em contentores de esferovite. Se ali tivesse caído de pára-quedas ficaria na dúvida entre Berlim e as feiras em Portugal na época pré-ASAE.
Era um mercado Turco, junto a um canal. Nem as asas de frango, nem as peças de tecido me pareceram tentadoras. Comprei 1 euro de alperces que lavei logo ali numa torneira no meio da rua.
Aluguei a bike por volta das 10 da manhã e o plano era, como habitualmente, muito rebuscado: ter 1 ou 2 pontos de referência e depois logo se via por onde me levariam as pedaladas.
Este era um dos pontos de referência: as portas de Brandeburgo
Eu, que sou um tipo do pop/rock e, mais até, do rock sinfónico, deleito-me com os concertos de Brandeburgo de Johann Sebastian Bach.
O dia estava magnífico. Depois da tempestade que se tinha abatido sobre Berlim na noite anterior, poucas horas após a minha chegada, com chuva torrencial
raios a cruzarem-se no céu de Berlim (lembrava os holofotes que durante a segunda-guerra varriam o céu, procurando aviões inimigos), a manhã estava quente com temperaturas acima dos 30 °C.
Segmentos do "muro de Berlim" era outro dos pontos de referência.
Embora se encontrem pedaços do muro em vários locais como, por exemplo, na praça Potsdamer.
Cheguei à praça Postdamer em grande estilo. Devidamente equipado com calças de ganga arregaçadas, sapatinhos de caminhar em alcatifa, meias, camisa (sem gravata) e o mapa de Berlim no bolso. Telemóvel no chão encostado a um poste, 20 s no temporizador, voltar à bike e clique. Uma das coisas interessantes em Berlim é que, dada a diversidade cultural, de hábitos, idades etc etc ninguém acha estas encenações estranhas.
O Hotel Ritz-Carlton em pano de fundo.
e, logo ao lado, a Praça Sony. Já uma vez ali comi uma bela de uma salsicha acompanhada de uma não menos bela cerveja !
(também ninguém achou estranho entrar por ali adentro de bicicleta)
À primeira vista, a articulação das faixas para bicicletas com as dos carros parece caótica e perigosa. No entanto, é ao contrário. É extremamente fácil pedalar em Berlim. É seguramente a melhor maneira de visitar a cidade. Ao fim de 15 min, depois de percebermos umas regras básicas (por exemplo, há semáforos apenas para bicicletas e outros para peões e bicicletas) andamos por ali "ábrir" atrás dos outros ciclistas com um à vontade que nos surpreende. Aliás, vêem-se famílias a pedalar (pais com miúdos pequenos) cada um na sua bike. Os carros não mudam de direcção sem verificarem se vem algum ciclista.
A circulação em bicicleta em Berlim não é uma moda. Nota-se claramente que é um hábito enraizado (novos e velhos, bem e mal vestidos, à chuva e ao Sol). Não há um local onde não haja uma faixa para a bicicleta.
Há estacionamentos para bicicleta em todo o lado, nas lojas, hotéis, escolas, casas, nas ruas ..... há bikes por todo o lado:
Sem bidão para a água e com o calor a apertar tive que a muito custo arranjar um plano alternativo: abancar numa esplanada para comer uma omelete com salada e beber uma cerveja! Cheguei portanto à conclusão que em Berlim, quando saímos de bicicleta, não é necessário levar géis/barras/electrólitos ... e outras merdas do mesmo género!
Procurei um sítio para um café e acabei aqui. Esta é outra das coisas interessantes em Berlim, a busca do diferente. Há lojas surpreendentes. Este era um café, ou bar ou algo do género com várias merdelhices por ali espalhadas, mas tudo com bom gosto e café delicioso. Pedi um espresso e ... deram-me um expresso: 5 ml (mais ou menos meia colher de sopa) de café no fundo de uma chávena que levamos à boca e ainda vamos a meio do trago e já se acabou o café.
A entrada (cuja degradação contrastava com a elegância do interior) não era óbvia. Entrava-se por um beco onde havia umas mesas e onde encostei a bike
Como se vê a bike era topo de gama! Muito mais apropriada para uma jovem vaporosa de cabelos e vestido a esvoaçar e com um cesto de flores e vegetais do que para um "mamil" (é só ir ao Google) de calças arregaçadas.
Este, que é um local ícone de Berlim, encontrei por acaso. Ia a pedalar, vim uma placa indicando: "checkpoint Charlie" a 450 m. Vrrrmmmmmmm está a virar nesse sentido.
Durante a guerra fria, este era um local de passagem no muro, controlado por ambas as partes (bloco soviético e aliados/NATO). Entre outros aspectos ficou famoso em 1962, ano em que um jovem tentou passar sem êxito de Berlim Este para Oeste. Foi atingido pelos soldados do lado soviético e ficou ali enrolado no arame farpado, na terra de ninguém, a esvair-se em sangue durante umas horas porque nenhum dos lados se atrevia a ir lá. Quando o fizeram já estava morto. Parece que os tipos que o alvejaram foram condenados em 1990 e tal a 1 ano ou 2 de cadeia.
Na altura era assim (fotografia num pequeno centro de visitas ao lado que descreve a relevância histórica do local).
De vez em quando, e a muito custo, parava quer para remover quer para repor líquidos.
Sempre de olho na bike.
Sempre de olho na bike.
Pedalei por avenidas cheias de trânsito
sem qualquer receio
parece perigoso mas não apanhei sequer um susto, pedala-se ali com segurança
pedalei por baixo de viadutos que me lembravam o filme "laranja mecânica"
por praças abertas, periféricas, desertas e luminosas
outras mais fechadas, centrais e cheias de turistas (a prova de que isto não é em Pequim é a torre ao fundo)
por avenidas centrais mas com pouco trânsito
por avenidas periféricas com carros a grande velocidade
Tive que ir para a periferia da cidade porque queria visitar a maior loja de bikes da Alemanha (a Stadler) !!! Bicicletas no corredor central e equipamento e componentes nos laterais. Decidi que só andaria por ali 1 hora. Cumpri com um erro de cerca de 30%. Talvez 40%.
Pedalei pela tarde dentro
com o Sol já a cair
Tinha que pedalar de volta ao sítio onde alugara a bike (praça Hemann, no bairro Turco). De súbito, para o final da tarde, as ruas encheram-se de grupos de ciclistas que conversavam como se estivessem numa esplanada (provavelmente pessoas vindas do local trabalho). Quer dizer, também há hora de ponta para as bikes !
De súbito começaram a chegar umas nuvens negras e a memória da tempestade da véspera começou a injectar adrenalina nas veias e mais rotação nas pernas. Caso caísse uma chuva torrencial, andar de de mapa numa mão, conduzindo a bike com a outra, a vários km da praça Hermann, tornava a situação ... fluida.
A bike não tinha luz e a tarde morria
O céu estava cada vez mais ameaçador. Até que reconheci a avenida com a catedral ao fundo que me levaria ao bar onde aluguei a bike. Um bar de um Turco com quem negociei o aluguer da bike. A mulher fazia o negócio enquanto ele bebericava na esplanada. Dez euros pelo aluguer mais 50 de fiança, disse-me ela. 50 de fiança, eh pá nem penses. Troca de olhares entre mim e ela para medir a convicção. E os olhares da Turcas não são fáceis !!! Tem que ser, diz ela (ah, eu não falo Turco e ela mal arranhava o Inglês). Come on, I´m there at that hotel just in front, disse eu, esboçando um sorriso que tentava ser arrebatador :). Ela (à volta dos 40, muito bonita) franziu ainda mais as sobrancelhas grandes e escuras que lhe marcavam a face. Chamou o gajo que estava lá fora. Falou rapidamente com ele em Turco. Troquei olhares com ele e percebi que tínhamos entendimento. Deve ser alguma coisa que nos está nos genes, este entendimento com pessoas de outras culturas. Temos uma história multi-cultural e isso marcou-nos. Levei a bike sem pagar a fiança.
Quase a chegar e já pingava. Ia repetir-se a cena da noite anterior, seguramente.
Eram 9 menos um quarto. Alugara a bike às 10. Onze horas a pedalar por Berlim. Pareceram-me apenas 2 ou 3. JA chuva entretanto começou a ficar mais generosa.
Entreguei a bike ao Turco com um sorriso que ele me devolveu. Estava de novo a pé. Na praça Hermann. Depois de muitas horas a pedalar na bike, quando desmontamos quase que temos que reaprender a andar. Ficamos descordenados, mexemos as pernas sem convicção e temos que pensar em colocar uma à frente da outra, mantendo o equilíbrio com o tronco.
a chuva era já intensa. Daí a pouco o céu estava de novo incendiado com raios.
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