Julho 2015
ou, de cá be baixo até lá acima passando pelo miradouro do Chiqueiro.
A bike está a levar peças (cepo da roda traseira) e, embora em excelente estado, a ideia de a trocar por uma roda 29 assalta-me o espírito.
No meio Batista, a problemática da roda 26 vs 29 insere-se na lista das questões fundamentais para a humanidade a par de "Quem somos, de onde vimos, para onde vamos", "A matéria negra explica o Universo oscilante ou, pelo contrário, o Universo está em permanente expansão", A seta do tempo é reversível ou irreversível".
A minha relutância em mudar para 29 é considerada por outros como uma atitude de "velho do restelo". Nada mais errado. É até uma atitude muito racional. A 29 roda mais bem devido ao "momentum"; sim claro. Se andares a competir ganhas uns minutos; sem dúvida. És um campeão e não gostas de perder nem a feijões; a 29 é a tua bike. Conheço muita gente que trocou uma roda 26 boa por um calhambeque roda 29. A maior inércia na bike de rodas 29 implica uns aros de alta qualidade e leves. E isso paga-se. De outro modo, uma 29 com rodas pesadas torna as subidas exageradamente difíceis, tirando muito prazer às pedaladas. E este é o problema. Uma boa bike 29 equivalente à que tenho 26 é cara.
Em todo o caso, ficam umas fotos para a posteridade. Da Lousã ao Trevim passando pelo miradouro da aldeia de Xisto do Chiqueiro.
De cá de baixo
Até lá acima (Trevim ao centro, no horizonte)
Passando sobre Vale Nogueira,
pelo estradão do Espinheiro, onde se faz a transição das encostas povoadas para a serrania propriamente dita, e a sensação de estar pedalar "sem rede" começa a bater mais forte,
até ao Trevim a 1200 m de altitude (horizonte para Sul)
E, depois, descendo pelo lado da Ortiga (horizonte para Norte)
Passando, ainda, pelo miradouro do Chiqueiro
Porque é que a bike é importante nestas coisas? A resposta não tem muito interesse.
A memória das pedaladas. Foi esta a principal razão. O blog é, assim, uma espécie de dispositivo virtual de reforço sináptico.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
domingo, 2 de agosto de 2015
The lunatic is on the grass
Agosto 2015
Publicado há uns anitos atrás, em 1973, "Dark Side of the Moon" . Houvi-o pela primeira vez para aí hás uns ... anitos atrás! Há mais de 35 anos. Uma experiência para a vida. Ficou por aí na memória e era ouvido esporadicamente numa espécie de culto até que ... começou a aparecer nas play lists de várias rádios e quase que se banalizou. É uma estratégia dos radialistas que injectam um som novo "antigo" até à nausea para "refrescar" o som actual que é de uma monotonia paupérrima.
O tranquilo e quase-genial David Gilmour na guitarra, o peneirento, excelente e cagão Roger Waters no baixo, o cósmico Richard Wright nas teclas a criar os sons planantes siderais e o eficaz Nick Mason na bateria.
E a que propósito vem esta conversa? É que o ícone do Dark side of the moon que aparece na capa do álbum - o prisma a dispersar a luz - está na minha jersey. Vesti-a hoje pela primeira vez. Pensei num local adequado para a estrear e fui propositadamente ao Cabeço da Ortiga.
Pedalei serra acima com os acordes do "lunatic ... " a dançar na memória. À chegada, pousei a bike cuidadosamente na relva (the bike is on the grass)
olhei o horizonte, puxei do telemóvel, encostei-o numa pedra, corri para a bike e ... the lunatic is on the grass ... and if there is no room upon the hill ... I'll see you on the dark side of the moon.
"I can't think of anything to say except ... I think it's marvellous ! ah ah ah ah ah ah ah "
Publicado há uns anitos atrás, em 1973, "Dark Side of the Moon" . Houvi-o pela primeira vez para aí hás uns ... anitos atrás! Há mais de 35 anos. Uma experiência para a vida. Ficou por aí na memória e era ouvido esporadicamente numa espécie de culto até que ... começou a aparecer nas play lists de várias rádios e quase que se banalizou. É uma estratégia dos radialistas que injectam um som novo "antigo" até à nausea para "refrescar" o som actual que é de uma monotonia paupérrima.
O tranquilo e quase-genial David Gilmour na guitarra, o peneirento, excelente e cagão Roger Waters no baixo, o cósmico Richard Wright nas teclas a criar os sons planantes siderais e o eficaz Nick Mason na bateria.
E a que propósito vem esta conversa? É que o ícone do Dark side of the moon que aparece na capa do álbum - o prisma a dispersar a luz - está na minha jersey. Vesti-a hoje pela primeira vez. Pensei num local adequado para a estrear e fui propositadamente ao Cabeço da Ortiga.
Pedalei serra acima com os acordes do "lunatic ... " a dançar na memória. À chegada, pousei a bike cuidadosamente na relva (the bike is on the grass)
olhei o horizonte, puxei do telemóvel, encostei-o numa pedra, corri para a bike e ... the lunatic is on the grass ... and if there is no room upon the hill ... I'll see you on the dark side of the moon.
"I can't think of anything to say except ... I think it's marvellous ! ah ah ah ah ah ah ah "
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Da Estrela à Lousã pelo vale do rio Alva
Julho 2015
Dia limpo, azul e quente.
O plano:
1. Das Pedras Lavradas a Vide e, depois, apanhar o vale do Rio Alva até ao Rio Ceira em Góis, serpenteando ao longo do rio pelas Vilas e outras terras com pontes: Vide, Alvôco das Várzeas, Ponte das Três entradas, Avô, Vila Cova do Alva, Coja, Arganil, Góis e Lousã;
2. Tirar fotografias nas pontes;
3. Encher os bidões em todas as fontes;
4. Encher os pulmões de ar e a mente das imagens, sons e aromas das serranias e vales e das aves de rapina a planar e da água a correr rápida por entre pedras e outras vezes mais devagar em praias fluviais e tudo o resto de inesperado.
As Pedras Lavradas ("serra da aboaça" com lhe chama o meu pai devido ao vento fortíssimo que varre continuamente este local) são uma espécie de fronteira; daqui para cima está a montanha mais genuína.
Visto deste lado parece trivial
mas, ali do lado, percebe-se o que acima disse. Lá em cima o planalto da Torre aos 2000 m de altitude. Tudo parece gigantescamente pequeno! Basta reparar na pequenez envergonhada das eólicas logo ali à frente.
Para o outro lado, para baixo, o vale por onde farei os primeiros Km.
Durante a descida, o planalto da Torre emoldura a paisagem, imponente, como um cenário ou uma tela.
Apetece parar e ficar ali um tempo a olhar.
E apetece velejar por ali abaixo, quase com o receio de que vai acabar dentro de alguns Km.
Começava o serpentear pelo vale. Como é bem sabido por quem pedala, nos dias quentes de Sol aberto o principal problema é o calor que irradia do alcatrão. Felizmente, há diversas fontes à beira da estrada ao longo do vale.
Alvôco das Várzeas. O cenário dos primeiros Km, o planalto central da Torre, começa a sair de cena mas, dá ainda um belo enquadramento à povoação.
Ponte das Três Entradas. Poderia ser Ponte das Duas Saídas.
Avô
Acampei em Avô, na ilha do rio, há muitos anos. Na altura, o meu amigo Pedro Veiga salvou um miúdo de afogamento certo. Ainda hoje retenho a memória do Pedro a nadar furiosamente em direcção ao puto que esbracejava e gritava. Não sei quem agitavam mais a água, se ele se o miúdo que salvou.
Anos depois, passei por aqui algumas vezes a altas horas da madrugada, sentado em cima de colunas som que faziam de assento traseiro na carrinha dos Kardos.
Tinha a memória da ponte de pedra,
e do rio fundo, lá em baixo
O que na altura era uma ilha em ambiente natural é hoje uma praia fluvial
Continuou o sobe e desce a serpentear pelo vale. A Estrela saía definitivamente de cena.
Há pequenas e belas coisas que as juntas de freguesia fazem. Tenho verificado em terras do interior serrano com populações envelhecidas que estes miradouros servem de uma espécie de "cabo da Boa Esperança". Junta-se um pequeno grupo e, pela manhã ou ao entardecer vão "dar a volta" ao miradouro numa caminhada que geralmente envolve 2, 3 ou 4 km. É uma ideia simples que promove um bem-estar extraordinário. É um ponto de referência que impõe um objectivo e não apenas um mero local para ver as vistas.
Parei nalguns.
Nas dezenas de Km já feitos fiquei com a sensação de que passaram por mim não mais do que meia dúzia de carros. Às tantas, na curva da estrada, o horizonte abriu e vislumbrei ao longe o meu destino a serra da Lousã
Coja. Aqui deixei o rio Alva e os vales. Havia que subir um pouco pela serra do Açôr.
Sobe e desce, pedalada após pedalada, suor a escorrer, água das fontes, aromas e sopros de vento ora mais quente, ora mais fresco nas zonas sombreadas, curvas e contra-curvas em estradas estreitas sem carros (como eu gosto), pensamentos que varrem a mente e que por vezes se prolongam por Km, respirar fundo, um prazer imenso de ir ali a pedalar, expectativa para perceber o que vem depois da próxima curva e ora deixa cá ver ainda tenho um pão com marmelada e tenho que ter cuidado com a água e ... chegada a outra vila.
Arganil.
Na descida já para Góis, via-se claramente visto, não o "lume vivo" como diria Camões, mas o pico do St. António da Neve na Serra da Lousã, sob as nuvens.
E ... Góis, onde encontrei o rio Ceira. Exuberante à saída da Vila, onde fazem o encontro de Motards, correndo sob uma ponte modernaça.
E mais tímido à entrada pelo lado de cima, o da serra, correndo sob uma bela ponte de pedra.
onde, vendo com mais detalhe, há uma praia fluvial pejada de centenas de pessoas
Já só faltavam 25 Km para a Lousã. Os primeiros 7 a subir até à Portela de Góis onde, com entusiasmo subi mais um pouco em direcção a Pampilhosa da Serra (o Skyroad Terras de Xisto de Setembro vai passar por aqui) para dar uma última vista de olhos para trás
O Sol ia caindo e a 1 km da Lousã, em Vilarinho,
pensei em apanhar numa fotografia o contraste da torre da Igreja contra o Sol e só nessa altura percebi que andavam por ali uns parapentes
Lousã. Gosto desta casa em ruínas
E gosto da vila com a serra lá atrás
Inicialmente, tinha algumas dúvidas sobre a capacidade de fazer este percurso de 3 algarismos (sobretudo num dia tão quente) mas, como já sabia desde o início, nestas coisas o importante é atingir uma velocidade de cruzeiro e deixarmo-nos ir, pedalando, umas vezes com mais genica do que outras mas sempre a ver a beleza da coisa, if you know what I mean !
Dia limpo, azul e quente.
O plano:
1. Das Pedras Lavradas a Vide e, depois, apanhar o vale do Rio Alva até ao Rio Ceira em Góis, serpenteando ao longo do rio pelas Vilas e outras terras com pontes: Vide, Alvôco das Várzeas, Ponte das Três entradas, Avô, Vila Cova do Alva, Coja, Arganil, Góis e Lousã;
2. Tirar fotografias nas pontes;
3. Encher os bidões em todas as fontes;
4. Encher os pulmões de ar e a mente das imagens, sons e aromas das serranias e vales e das aves de rapina a planar e da água a correr rápida por entre pedras e outras vezes mais devagar em praias fluviais e tudo o resto de inesperado.
As Pedras Lavradas ("serra da aboaça" com lhe chama o meu pai devido ao vento fortíssimo que varre continuamente este local) são uma espécie de fronteira; daqui para cima está a montanha mais genuína.
Visto deste lado parece trivial
mas, ali do lado, percebe-se o que acima disse. Lá em cima o planalto da Torre aos 2000 m de altitude. Tudo parece gigantescamente pequeno! Basta reparar na pequenez envergonhada das eólicas logo ali à frente.
Para o outro lado, para baixo, o vale por onde farei os primeiros Km.
Durante a descida, o planalto da Torre emoldura a paisagem, imponente, como um cenário ou uma tela.
Apetece parar e ficar ali um tempo a olhar.
E apetece velejar por ali abaixo, quase com o receio de que vai acabar dentro de alguns Km.
Vide, o rio Alva e a primeira ponte
Começava o serpentear pelo vale. Como é bem sabido por quem pedala, nos dias quentes de Sol aberto o principal problema é o calor que irradia do alcatrão. Felizmente, há diversas fontes à beira da estrada ao longo do vale.
Alvôco das Várzeas. O cenário dos primeiros Km, o planalto central da Torre, começa a sair de cena mas, dá ainda um belo enquadramento à povoação.
Ponte das Três Entradas. Poderia ser Ponte das Duas Saídas.
Avô
Acampei em Avô, na ilha do rio, há muitos anos. Na altura, o meu amigo Pedro Veiga salvou um miúdo de afogamento certo. Ainda hoje retenho a memória do Pedro a nadar furiosamente em direcção ao puto que esbracejava e gritava. Não sei quem agitavam mais a água, se ele se o miúdo que salvou.
Anos depois, passei por aqui algumas vezes a altas horas da madrugada, sentado em cima de colunas som que faziam de assento traseiro na carrinha dos Kardos.
Tinha a memória da ponte de pedra,
e do rio fundo, lá em baixo
O que na altura era uma ilha em ambiente natural é hoje uma praia fluvial
Continuou o sobe e desce a serpentear pelo vale. A Estrela saía definitivamente de cena.
Há pequenas e belas coisas que as juntas de freguesia fazem. Tenho verificado em terras do interior serrano com populações envelhecidas que estes miradouros servem de uma espécie de "cabo da Boa Esperança". Junta-se um pequeno grupo e, pela manhã ou ao entardecer vão "dar a volta" ao miradouro numa caminhada que geralmente envolve 2, 3 ou 4 km. É uma ideia simples que promove um bem-estar extraordinário. É um ponto de referência que impõe um objectivo e não apenas um mero local para ver as vistas.
Parei nalguns.
Nas dezenas de Km já feitos fiquei com a sensação de que passaram por mim não mais do que meia dúzia de carros. Às tantas, na curva da estrada, o horizonte abriu e vislumbrei ao longe o meu destino a serra da Lousã
Coja. Aqui deixei o rio Alva e os vales. Havia que subir um pouco pela serra do Açôr.
Sobe e desce, pedalada após pedalada, suor a escorrer, água das fontes, aromas e sopros de vento ora mais quente, ora mais fresco nas zonas sombreadas, curvas e contra-curvas em estradas estreitas sem carros (como eu gosto), pensamentos que varrem a mente e que por vezes se prolongam por Km, respirar fundo, um prazer imenso de ir ali a pedalar, expectativa para perceber o que vem depois da próxima curva e ora deixa cá ver ainda tenho um pão com marmelada e tenho que ter cuidado com a água e ... chegada a outra vila.
Arganil.
Na descida já para Góis, via-se claramente visto, não o "lume vivo" como diria Camões, mas o pico do St. António da Neve na Serra da Lousã, sob as nuvens.
E ... Góis, onde encontrei o rio Ceira. Exuberante à saída da Vila, onde fazem o encontro de Motards, correndo sob uma ponte modernaça.
E mais tímido à entrada pelo lado de cima, o da serra, correndo sob uma bela ponte de pedra.
onde, vendo com mais detalhe, há uma praia fluvial pejada de centenas de pessoas
Já só faltavam 25 Km para a Lousã. Os primeiros 7 a subir até à Portela de Góis onde, com entusiasmo subi mais um pouco em direcção a Pampilhosa da Serra (o Skyroad Terras de Xisto de Setembro vai passar por aqui) para dar uma última vista de olhos para trás
O Sol ia caindo e a 1 km da Lousã, em Vilarinho,
pensei em apanhar numa fotografia o contraste da torre da Igreja contra o Sol e só nessa altura percebi que andavam por ali uns parapentes
Lousã. Gosto desta casa em ruínas
E gosto da vila com a serra lá atrás
Inicialmente, tinha algumas dúvidas sobre a capacidade de fazer este percurso de 3 algarismos (sobretudo num dia tão quente) mas, como já sabia desde o início, nestas coisas o importante é atingir uma velocidade de cruzeiro e deixarmo-nos ir, pedalando, umas vezes com mais genica do que outras mas sempre a ver a beleza da coisa, if you know what I mean !
quinta-feira, 23 de julho de 2015
... and back to Serra da Lousã
12 Julho 2015
como quem volta a casa, a respirar fundo.
e a passar nos locais de que e gosta, como o marco geodésico do Espinheiro, a cerca de 700 m,
um planalto aberto, imponente, rude, mas luminoso cujo acesso não é fácil, como convém. Chega-se com esforço
na expectativa da chegada que só se percebe quando já lá estamos
e donde de novo se parte, porque a serra não acaba ali !
Até lá acima, ao Trevim (nas antenas aos 1200 m),
ainda falta subir e atravessar a floresta aos 800 m,
belíssima, com contrastes Sol e sombra e o aroma das pinhas e onde, por vezes, se ouve um resfolhar sem nada ver (veado, javali, esquilo, gineta ...?)
como quem volta a casa, a respirar fundo.
e a passar nos locais de que e gosta, como o marco geodésico do Espinheiro, a cerca de 700 m,
um planalto aberto, imponente, rude, mas luminoso cujo acesso não é fácil, como convém. Chega-se com esforço
na expectativa da chegada que só se percebe quando já lá estamos
e donde de novo se parte, porque a serra não acaba ali !
Até lá acima, ao Trevim (nas antenas aos 1200 m),
ainda falta subir e atravessar a floresta aos 800 m,
belíssima, com contrastes Sol e sombra e o aroma das pinhas e onde, por vezes, se ouve um resfolhar sem nada ver (veado, javali, esquilo, gineta ...?)
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