A água é essencial à vida. Há água em Marte? Então é provável que lá haja formas de vida! Tão simples como isto. E, como a informação vem da NASA, não há que duvidar. Mas, da água à célula é mais longe que do vinho à garrafa que o contém.
Nós somos 70 % água. Basta grelhar carne ou um polvo para perceber isso. Mas a água não é um parceiro amorfo da vida. Há um segredo na água que a torna essencial à vida. Esse segredo conta-se de modo simples em 4 palavras: permite a auto-organização molecular. Por exemplo, mandam-se umas moléculas para dentro de água e elas organizam-me em estruturas complexas e belas, como membranas e liposomas. É um fenómeno parecido como a separação entre a água e o azeite; separam-se como que por magia. É também, em parte, a razão pela qual se formam gotas de chuva nas folhas das plantas. É um fenómeno tão familiar que não se pensa nisso mas experimente-se formar umas gotas de álcool numa folha de uma planta. Não se consegue.
Quem é que nunca acordou às 3 da manhã a pensar porque é que se formam gotas de chuva nas folhas das plantas!
Mas as coisas não se auto-organizam espontaneamente! Pois não! A segunda lei da termodinâmica não deixa. Esse é o segredo da água, no seu seio (uma palavra bem adequada) organiza e dá origem a estruturas complexas mas sem violar as leis do Universo.
Serra da Lousã
(Fevereiro 2014)
O ano passado em Fevereiro foi mês de tempestades, de água a correr por todo o lado. Pedalar pela serra após (durante é uma história que não se consegue registar em fotografias) uma tempestade é uma experiência a 120% para os sentidos, todos.
cascatas imprevisíveis
Mais fotografias após, que mostram a água a encontrar caminhos na floresta,
que encontram outros
seguindo juntos
Dois anos atrás, em Fevereiro de 2013, lembro-me que houve também uma grande tempestade na serra. Fui para lá pedalar já na fase da bonança, em que a luz já fazia o dia claro e mostrava os destroços do que tinha acontecido
Aos mil e poucos m de altitude a água não corria, estava gelada.
Ainda em Fevereiro de 2013, fiz uma travessia Serra do Açôr-Serra da Lousã a solo. Atravessei as cumeadas num belo dia com alguma água à mistura e hoje, ao ver as fotografias (acho que já postei algumas antes mas que interessa isso), quando recuperava essa memória, atravessou-se-me na cabeça No one knows what it´s like ... a voz do Roger Daltrey com as guitarradas do Pete Townshend por trás e mais os outros malucos dos The Who
O chão húmido e o ar límpido
aaaaah os horizontes ...
A água no planalto central da serra da Estrela no estado sólido (no horizonte ao centro, sob as nuvens)
e, finalmente, o espelho de água da barragem de Sta. Luzia
Ah, há outra parte do segredo que está relacionada com a sua estrutura em que as moléculas da água no estado líquido executam um "ballet" tridimensional, trocando continuamente de parceiros ao mesmo tempo que retêm a estrutura. E parece tudo tão calmo lá em baixo, na barragem !

















































