(Serra da Lousã - cimo do vale da ribeira da Fórnea)
Agora que penso nisso (na altura, quando vou a pedalar por ali fora, não penso em nada) é como se chocasse com alguma coisa; o que vejo vem-me como um tsunami e obriga-me a parar.
O que eu gosto de olhar as árvores nuas contra o céu branco. O isolamento também ajuda. E a neblina que invade a floresta também. Estou na floresta aos 700 m e sei que não anda por ali ninguém. O dia está invernoso mas tranquilo. Sopra algum vento, ouve-se um canto de pássaro aqui e ali mas o silêncio é quebrado sobretudo pelas rodas da bike sobre as folhas do chão e pela minha respiração.
Estou ao cimo do vale da ribeira da Córnea.
Paro, desmonto, arranjo um pau para segurar a bike (manias, não gosto muito de a deitar no chão) e
só ouço os meus passos. Um ruído intenso que sobressai no silêncio; como se tivesse uns chocalhos nos tornozelos.
Mas parei por isto
mais perto.
Parei pela geometria fractal. És parvo ou quê pá? Paraste pela geometria fractal? Que grande estupidez pá! Estás armado ao pingarelho? Só falta perguntar o que é que as árvores do vale da ribeira da Fórnea têm a ver com os fiordes da Noruega, pá.
Pois é. Parei porque gosto de olhar as árvores.
Mas (ou ainda assim), à medida que olho há uma parte do cérebro que vem com essa ideia da geometria fractal. É que parece ser uma geometria intrínseca à natureza. Aprendi isto há vários anos e a ideia deixou-me fascinado.
Por exemplo:
relâmpagos
(imagem retirada de "wired.com")
(imagem retirada de "wired.com")
sistema vascular no cérebro
(de urbanshakedowns.wordpress.com)
e no olho
(de urbanshakedowns.wordpress.com)
e no coração
(de urbanshakedowns.wordpress.com)
os fiordes na Noruega
(de urbanshakedowns.wordpress.com)
Um neurónio e uma galáxia
e as árvores do cimo do Vale da Ribeira da Fórnea da serra da Lousã
Fica um vídeozinho porque as fotografias reduzem a dimensão do tsunami que nos atinge ao olhar
E vamos embora antes que caia outra carga de água que já sequei duas no pêlo para aqui chegar.



















