sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Na Estrela cadente mas com paragens amiúde, claro, ah e o Miguel Youtuber

Serra da Estrela
finais de Julho 2018

Tem que se pedalar mantendo uma cadência constante. Constante e espevitada. Nem para limpar os olhos do suor ou enxotar as moscas  - e aqui aplica-se uma das leis fundamentais do mountain biking: se pedalas a uma velocidade inferior à que as moscas conseguem voar estás lixado pá to say the least pá, elas vão andar à tua volta, pousando nos lábios, nas orelhas e noutros orifícios cobertos de suor - se pode alterar a cadência, quanto mais parar.
Mas a cadência é fluída, dinâmica, não monótona-repetitiva; é mais ou menos como a música do Philip Glass, sobre o ritmo base vão-se introduzindo pequenos traços melódicos dos quais só se dão conta um pouco depois de terem entrado na cadência em fundo. Assim, as pedaladas cadentes, como que uma mad rush

(Philip Glass, mad rush)

Portanto, da Covilhã até às Penhas da Saúde fui cadente. Só então comecei a parte amiúde (bela palavra esta), isto é, a parar com frequência para olhar e tirar umas fotos.
Já acima dos 1500 m, o arzinho mais fresco e limpo, a agrestura (não existe a palavra mas poderia existir) da paisagem onde, mesmo sem lhes tocar, se percebe a rudeza do granito e das zimbreiras. E, nos dias de Sol, como era o caso, a luz intensa que se mete pelos olhos adentro até ao cérebro como relâmpagos. Os Cântaros, o Relvão, os Covões, os horizontes ... O esgar na face dos primeiros Km deve ter sido substituído por um sorriso - digo eu que estou agora aqui sentado confortavelmente.

O azul e o amarelo à passagem pela barragem das Penhas (lago do Viriato)


de soslaio, percebia a mancha azul


Um pouco mais de azul, isto é, um pouco mais acima, na passagem pelo Relvão, ouvi - pois, os rebanhos aqui ouvem-se e só depois se vêem - um rebanho. Um som que ainda tenho na memória de há décadas atrás, quando por aqui calcorreava os covões e cântaros.
Agucei a vista e lá estavam.


A distância na serra ilude; o que parece logo ali, dada a imponência geológica, é longe, muito longe.

Ali, do lado de cá da moreia (os pedregulhos por ali espalhados) do grande glaciar que moldou o belíssimo vale glaciar do Zêzere que, aliás,  começa logo ali à esquerda:

(uma fila de ovelhas à esquerda que se dirigem para o local onde o pastor, ao centro apoiado num cajado, reuniu já o resto do rebanho)

Bebida a água da fonte que, um pouco adiante, jorra eterna (pelo menos conheço-a assim há décadas), feita a curva em que se avista o Cântaro Magro, o Covâo da Ametade (onde nasce o Zêzere) e o vale glaciar, passado o túnel e atingidos os 1800m de altitude, parei com as vistas para Sul, sobre a lagoa da barragem do Covão de Ferro (tomando a casa do lado esquerdo como referência percebe-se a imensidão do que nos rodeia) 


Já para não falar da ilusão da distância que o Cântaro Magro, logo a seguir, induz.


Visto do lado de baixo, o alinhamento dos cântaros (da esquerda para a direita: gordo, magro e raso) dá um "flavor" da imensidão, comparando com o radar na Torre que se avista por cima da cabeça do emplastro da fotografia.



Mas foi um pouco antes que, à beira da estrada, distingui ao longe um vulto. Eh pá aquilo é um gajo com uma bicicleta com alforges. Vai uma bolacha - atirou ele quando me aproximei. Aquilo era claramente um convite-provocação para parar. Bom, só ali conversámos durante meia hora. O Miguel tinha vindo a pedalar desde Lisboa, e - contou-me - tinha um canal Youtube com 40 mil seguidores. O Miguel era um youtuber (onecyclistinlisbon). Estava ali porque os seus seguidores tinham votado favoravelmente a viagem à Estrela relativamente à viagem a Granada (também de bike). O seu compromisso era fazer a reportagem para os seguidores. Perguntou-me sobre a zona e ouviu-me palrar meia hora sobre a serra (a parte do lado da Covilhã porque mais estava para vir relativamente ao outro lado). Seguimos juntos até à Torre. Levei-o ao lado Nordeste e falei-lhe sobre a cordilheira à nossa frente: a Estrela-Açôr-Lousã. Contei-lhe dos caminhos que já por ali percorri de bike e do picoto da Cebola e do Trevim no horizonte e das travessias que fiz e, e, e, e, e,  ... e o Miguel ouvia e eu tentava abreviar para não lhe pregar uma grande seca mas, para meu espanto, o Miguel insistia em querer saber pormenores e onde ficava o Piodão e olha além que barragem é aquela (Sta. Luzia) e, e, e, e, e, e ... como diria a minha filha: um nerd pior que eu.
Percebia-se que ele, como eu, estava habituado a pedalar solitário. Depois daqueles momentos partilhados foi natural cada um ir para seu lado. Ele foi comer umas sandes de presunto a um dos tascos da Torre, enquanto que eu desci um pouco para o lado de Seia. Na despedida, perguntou-me se podia por lá no canal youtube dele parte da nossa conversa. Ja tinha percebido que ele ia gravando a paisagem e a conversa. Claro que sim, serão os meus 15 minutos de fama.

Na passagem (de novo) junto ao Cântaro Magro parei para comer uns bolinhos de côco. Tirei os sapatos e fiquei ali durante ... 15, 30 60 min? Não sei bem.
Lá ao fundo, a raia, a zona de fronteira entre a Beira e Espanha (esta já na linha do horizonte) com os montes onde se erguem Monsanto e Sortelha.


Não sabia ainda que no dia seguinte voltaria ali. Voltaria cadente como se o não tivesse feito na véspera, isto é, hoje. E que desceria um pouco pelo lado de Seia para me deparar com um mar de neblina que cobria a Beira-Alta. O relato e as fotografias do dia seguinte ficam para amanhã, quer dizer para um destes dias.


segunda-feira, 16 de julho de 2018

Tsunami nos campos de arroz do Mondego

Julho 2018


Aquilo foi crescendo, crescendo de tal modo que passei do estado "mas que é esta merda?" para a fronteira do pânico. Ia em pedalada vigorosa até ao mar. Da serra ao mar e volta em "mountain bike". Passava pelos campos de arroz do Mondego. Verdes.  Estava por ali parado, rente ao arroz, a olhar o verde e o espelho de água. As cegonhas pousadas nos campos levantaram voo mal me aproximei.



E depois vem-nos à memória, não uma frase batida, mas ante meus olhos me traziam, num engano de alma uns versos de Camões:

"nos saudosos campos do Mondego
aos montes ensinando
e às ervinhas
o nome que no peito escrito tinhas"


Mas o som crescia e quase que aposto que também sentia a terra a tremer debaixo dos pés. Sentia o som nos ossos. Naquela placidez dos campos, sob um céu imenso onde quase (quase, quase) se percebe que o mar lá se reflecte, alguma coisa estava para acontecer. Foram uns segundos longos. Um tsunami? Depois, oh caraças, é o comboio. Mas como é que passa aqui um comboio? Eu tinha atravessado uns carris ferrugentos algum tempo antes mas tinha-me esquecido. Pensei que era mais uma linha abandonada. Um comboio de mercadorias ali rente aos campos de arroz, por entre os canaviais que os limitam. Apareceu de repente, do nada, naquele ritmo constante: prrraammm pam pam, prrraammm pam pam, prrraaammm pam pam, prrraaammm pam pam, prrraaammm pam pam, prrraaammm pam pam ...


Foi-se e o silêncio voltou como se nada se tivesse passado. E, bem vistas as coisas, nada se tinha passado.


Segui. Já sentia o ar salgado, a maresia a entrar-me pelo nariz. Puro engano, claro, faltavam ainda uns 20 e tal quilómetros para o mar. Depois cheguei e o mar lá estava.


Na volta, a noite quase que me apanhou. A viagem era longa, mais de sete horas em cima do selim, fora as paragens. O céu já amarelava e alaranjava em tons de por-do-sol quando avistei a serra ainda ao longe. Nas encostas a Este (opostas ao lado onde se põe o Sol), a luz reflectia-se nos vinhedos que revestiam o solo, em ondas. Belíssimo.


Trazia o Sol nas costas e sentia-o a morrer. Pedalei com pressa. Quando cheguei à vila já as luzes das ruas estavam acesas. A viagem acabou com o dia. É bom assim.


segunda-feira, 9 de julho de 2018

Anoitece nas serranias

Serra do Açôr
Julho 2018


Não é a transição do dia para a noite. O anoitecer não é uma passagem como quem cruza uma ponte para a outra margem. O anoitecer é o anoitecer, tal com a manhã é a manhã. Não é só a paisagem que muda. Nós também. A luz tem influência nos ciclos circadianos que influenciam (governam?) o nosso organismo, a nossa fisiologia. Não me surpreende, portanto, que os "olhos" com que vemos o anoitecer sejam outros que não aqueles com que olhamos o Sol do meio-dia.

No anoitecer nas serranias respira-se até aos ossos. O ar impregna-nos. Tanto mais hoje, um os primeiros dias quentes do ano. A aragem começa a refrescar. Tudo se aquieta. Nem tudo, percebem-se nas escuridão olhos brilhantes, tal como as luzes das aldeias encravadas nos vales. Distinguem-se vultos que esvoaçam, fugazes. Caçadores nocturnos. Para alguns animais a noite é a manhã de outros.


Na paisagem os vales ficam indistintos, cobertos de neblina. Sobressaem os cumes, como ilhas no mar gasoso e volátil.


(Sobre a albufeira da barragem de Sta. Luzia percebe-se ainda, na linha do horizonte ao centro-esquerda, o planalto central da Serra da Estrela)

Devagar, muito devagar a luz vai morrendo nas serranias.

E ao pedalar a esta hora pelas serranias - agora que penso nisso e que preciso de uma palavra para acabar a frase - fica uma sensação de despojamento.

(Penedos de Fajão na serra do Açôr)




segunda-feira, 2 de julho de 2018

Domingo por las doze de la tarde antes da tormenta

Serra da Lousã
Julho 2018

Há muito anos, quando era muito novo, era vulgar trovoadas noturnas abaterem-se sobre sobre a vila,  lá no sopé da serra onde vivia. Tão certo como Abril águas mil, a electricidade faltava pouco depois.  Era bem sabido. Casas, ruas, céu, tudo às escuras. Um escuro fundo que, cortado pelos relâmpagos, tornava o escuro uma experiência perturbadora: não era escuridão mas a ausência completa de luz. Eu achava a trovoada sobre a serra uma coisa deslumbrante. Os trovões ecoavam e o som andava por ali em sucessivas vagas, os relâmpagos iluminavam durante uns segundos as encostas e a vila e depois aquilo ia-se repetindo, eu sempre na expectativa do próximo trovão seguido do clarão do relâmpago. A maioria da pessoas fechava-se em casa, janelas fechadas, à luz de velas.. Eu vinha sempre para a porta ou para janela. Ficava fascinado. Lá tinha que resistir aos apelos (to say the least) da minha mãe para sair dali e ir para dentro. E havia o cheiro, o cheiro a trovoada. Não apenas o cheiro da terra mas o da trovoada. Sei hoje que é o ozono. As descargas eléctricas geram ozono. Muitas vezes a trovoada vinha com chuva em torrente, gotas grossas, rápidas que batiam nos telhados, ricocheteavam no chão e nos objectos, fazendo um barulho intenso. Outras vezes era granizo.
Se na vila era assim, na serra a coisa era elevada ao cubo. Mil vezes mais intensa, mil vezes mais arrepiante. Um dia, acampado no Vale do Rossim, nas Penhas Douradas, no coração da serra da Estrela, percebei o que era estar "no centro" da trovoada. Os trovões sentiam-se nos ossos, sobretudo no esterno (quando se está num concerto em frente à colunas dos baixos sentem-se, do mesmo modo, os graves no esterno) e a simultaneidade de clarões e do eco dos trovões que parecia vir das entranhas da terra e não do céu deixou-me num sobressalto mas, ao mesmo tempo, encantado. Uma coisa do outro mundo.

Ainda hoje, onde vivo, quando há trovadas fico sempre na expectativa que a luz em casa e na vila "vá abaixo". Mas, claro, hoje os sistemas são mais estáveis e isso raramente acontece.

Pedalei serra acima. Precisava de lonjuras, de estender a vista sobre os horizontes. Na subida encontrei um companheiro com quem dei belas e muitas pedaladas há anos atrás. Pedalámos algum tempo juntos, saboreando a companhia mútua e refrescando laços de companheirismo. O tempo ameaçava uma bela chuvada e, por vezes, ouvia-se um rugir ao longe vindo do céu. A trovoada andava por ali.
Chegados ao planalto, aos mil metros, separámos-nos. Virei para Sul, para os lados das serranias sobre o vale da ribeira de Alge.


Chão duro, rude e belo. Os pequenos tufos arbustivos são tojos misturados com flores que, vistos ao nível do chão, são mais exuberantes




De vez em quando, os trovões longínquos lembravam-me que talvez fosse boa ideia ir descendo e sair dali do planalto. O vento era forte. Um vento forte e bom. Morninho.

Desço pelo Gondramaz? Mas se a borrasca me apanha pelo caminho estou a dezenas de km de casa. Pela meia encosta, pelo caminho que vai dar à floresta? Pois, é isso mesmo. As árvores sempre dão alguma protecção em caso de chuva torrencial. E vamos embora que se faz tarde. Segui, tentando apanhar o caminho que me levaria à floresta. Tinha 800 m em altitude para descer até ao vale.




 Às tantas ... mas que raio ?!. O caminho estreito que conhecia estava transformado num estradão. Provavelmente mais umas das "medidas preventivas" contra incêndios.





Apanhei uma boa velocidade. Uns bons 15 minutos a pedavelejar pelo estradão sobranceiro ao vale, entre os calhaus e as nuvens. Estas, à minha frente eram brancas mas pelas costas aproximavam-se ameaçadoras, negras, puxadas a vento, a querer cobrir o céu. Mas, no fundo estava a borrifar-me para as nuvens; queria lá saber se a trovoada me apanhava ali, se iria chover a cântaros - não me vou deixar empurrar pela borrasca. Fui pedalando em grande gozo. 




Fiz o estradão. Começava a cheirar intensamente a chuva. Pois é, a chuva também se cheira. De vez em quando caíam umas pingas vindas de longe arrastadas pelo vento. Desci uma cascalheira bem inclinada para sair do estradão e entrei na floresta. Entrei com vontade de a passar rapidamente e descer mas ... tudo tranquilo. Ouviam-se sons de passarada e de paus e galhos e pedras pisados e partidos sob as rodas da bike. De vez em quando um riacho. Mas tudo tranquilo.


Parei. Ao contrário da ventania que tinha sentido lá em cima, ali apenas uma brisa agitava as folhas das árvores. Fiquei com aquela sensação familiar de que alguma coisa está para acontecer. Fiquei por ali algum tempo. Bem sabia que andava por ali sozinho. Quase que desejava que a tormenta me caísse em cima. No bolso de trás da camisola levava o impermeável da Louis Garneau. Esse detalhe dava-me muita segurança.



Ao chegar ao vale, após a descida, o céu desabou-me em cima da cabeça. Era seguramente disto que os irredutíveis Gauleses (Asterix e companhia), temerosos, falavam: que o céu lhes caísse em cima da cabeça. Uma cortina de água torrencial, trovões e uns relâmpagos. Uma festa.




sexta-feira, 29 de junho de 2018

the not so long and winding road ou um Junho Novêmbrico

Junho
Serra da Lousã

(Sir Paul and folks during the 90's)


EN236. Longa e tortuosa como convém às pedaladas. A uma curva segue-se outra, mantendo-se acesa a curiosidade sobre o que está para lá da curva seguinte. Antecipando-me - e sabendo-se que à subida se segue a descida e, mais ainda, que enquanto que a subida é lenta a descida é feita de cara ao vento a boa velocidade - quando a tortuosa EN236 foi feita a descer, curvando bem inclinado nas curvas, sentindo um friozinho no umbigo ao desfazer cada curva na expectativa de nada me aparecer pela frente, às tantas atravessa-se-me um javali. Àquela velocidade nada  poderia fazer. O bicho apareceu-me pela direita e atravessou a estrada a correr na perpendicular à minha frente. Só percebi o que raio era aquele vulto quando o foquei mesmo à minha frente, ali, dois metros à frente da roda da bike; um corpo redondo entre o cinzento e o castanho, peludo, com um focinho bicudo e saliente. Nem tive tempo de travar. Quer dizer, ainda travei durante uns segundos. Caraças, se tivéssemos chocado teria sido uma grande merda (para mim claro). Vejo-os com frequência nos caminhos e trilhos da floresta e da mata mas nunca ali, em pleno dia, a atravessar a estrada. Mas o dia estava Novêmbrico e silencioso e eu deveria ter pensado nisso. Nestes dias os animais vagueiam mais à vontade. Uma vez, indo eu em boa pedalada num trilho estreito plano lá no cimo da serra, entre arbustos que não permitiam sair do caminho, sinto um cheiro intenso e, no mesmo instante, salta-me um javali para a frente. Eu a pensar se deveria parar ou continuar a pedalar e o bicho enorme ali a correr à minha frente no mesmo trilho perseguido por mim. Por fim, enquanto eu não me decidia, ele tomou a iniciativa e meteu-se por um buraco entre os arbustos, serra acima. Lá parei a tentar que o coração me saísse da boca e voltasse ao seu lugar no peito.


The long and winding road ...

... I´ve seen this road before



it always leads me here




Um dia de Junho, mais Novêmbrico que Júnhico. Aos dias de chuva na serra tinham-se sucedido dias quentes e de Sol aberto. A humidade era intensa quando, neste dia, o céu se tapou sobre a serra, mas apenas sobre a serra, e a temperatura baixou um pouco. Em todo o vale o céu era aberto e azul, vendo-se a serra coberta por um manto gasoso e branco. Um fenómeno curioso, uma neblina que se assapava sobre as encostas e o cume, que permanecia ali, nem se dissipando nem se movendo (como o outro que nem coisa e tal nem sai de cima), andava por ali lentamente a vaguear, abafando sons e tornando a estrada ainda mais tortuosa e longa.



I´ve heard this song before:

(Ray Charles with the Count Basie Orchestra - the long and winding road)

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Há alguma coisa que está a escapar-nos

Serra da Lousã
Junho 2018




Vi já, por diversas vezes, javalis a saciarem-se nestes fios de água, aqui, neste sítio. Mas não são os javalis que nos escapam. Esses, até os comemos. Em boa verdade, comemo-nos todos uns aos outros. Escapa-nos que vista da sonda Voyager (nós que a construímos e a mandámos para o espaço) a 6 mil milhões de km de distância, a Terra é um ponto no espaço, um pixel numa fotografia. E que a humanidade dissociada da biosfera será uma aventura com um tempo de vida muito limitado. E que a perturbação da biosfera (biodiversidade, poluição, degradação de ecossistemas, quer física quer esteticamente como, por exemplo, tornar feio o belo - e isto é muito importante, embora não seja voz corrente ...) nos atinge pela razão óbvia de que somos parte integrante da biosfera.
O homo erectus, o nosso primo, andou por cá 1 milhão de anos (mais coisa menos coisa). Nós, os sapiens, os sapiens sapientíssimos, os sapiens biónicos, que andamos por aqui há uns meros 70 mil anos (mais coisa menos coisa) a construir a humanidade, estamos a fazer a cama onde nos vamos deitar.

Vídeozinho às Sextas: riacho sobre o grande castanheiro num dia de brisa fresca.

terça-feira, 19 de junho de 2018

à superfície and beyond

Serra da Lousã
Junho 2018

Na realidade é uma superfície mas o cérebro não se contenta com apenas 2 dimensões e constrói a realidade com padrões que já lá tem na memória.



Mesmo que compliquemos a coisa (i.e., os padrões) em essência nada muda, apenas é necessário mais tempo para o cérebro construir a imagem da realidade.






Fecha-se o círculo e volta-se ao início