Serra da Lousã
(Dezembro de 2011)
Against the wind, ou a "a geometria já não é o que era", ou "não sei por onde vou mas não vou por aí", ou "rebanhos não, obrigado".
A memória das pedaladas. Foi esta a principal razão. O blog é, assim, uma espécie de dispositivo virtual de reforço sináptico.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
A diferença entre as minhas e as do Lance
... é que as pernas do Lance Armstrong têm mais pêlos do que as minhas :)))))))))
(fotografia da net)
(fotografia da net)
domingo, 20 de setembro de 2015
De S. Pedro do Açôr a Fajão and beyond
Serra do Açôr

Fajão na mira. Estou aos 1050 m de altitude, só tenho que descer até ao rio, a cerca de 500 m, subir a encosta do lado de lá até Fajão, continuar a subir até ao alto da barragem de sta. Luzia, novamente ao 1000 m, além junto à eólicas na linha do horizonte e ...
e, umas horas, uma barra de cereais que anda meu bolso da jersey há meses, suor nos olhos que tornava indefinida a estrada, depois ... surge a barragem de Sta. Luzia. Estou a chegar (ou a terminar, na outra perspectiva).
(Agosto 2015)
Este é o princípio da segunda parte. Ia a tarde ainda quente. Another Perfect Day
De um lado, a Sul, afundado obliquamente na encosta até ao rio Ceira, o vale sobre a aldeia do Tojo era percorrido por um caminho que me levava ao Porto da Balça e à barragem do Alto Ceira. Não o vejo mas sei-o bem, tinha-o visto no Google Earth na véspera. E, se estava no écran do meu computador é porque era real.
Do outro lado, para Norte, uma passagem mais humana. Caminhos mais previsíveis. Vêem-se aldeias aninhadas nos vales e nas encostas. Hão-de até os os sinos das igrejas ecoar pelos vales. Os nomes lembram os das crateras na Lua: Piodão, Soito da Ruiva, Sobral Gordo, Mourisia, Moura da Serra, Casarias, Pardieiros, Benfeita, Sardal, Relva Velha, Parroselos, Sardal e mais uns quantos lugares mais pequenos.
Entre o Sul e o Norte, optei por nenhum deles e segui Oeste (em frente), pela cumeada que, muito provavelmente, me levaria para os lados de Fajão.
Para Sul
Para Norte. Sobral Gordo, Sobral Magro e Souto da Ruiva em primeiro plano e, adivinhando-se no horizonte, Viseu e a Serra do Caramulo.
En frente a olhar para trás (o planalto da Serra da Estrela a marcar a linha do horizonte ao centro e S. Pedro do Açôr, de onde venho, à esquerda)
Em frente a olhar para a frente
Apesar do estradão das eólicas, o isolamento aqui é intenso. É a solidão das serranias. Conheço-a bem.
O que está para lá da curva? O Reino da rainha de Sabá?
Estes horizontes sobrepostos são de uma desolação épica. Os tons azulados vão-se desfazendo na distância.
Olho para trás novamente e o alinhamento quase indistinto das eólicas na linha do horizonte traça o percurso que já fiz, desde S. Pedro do Açôr (pico mais alto à direita). Com se tivesse deixado uns pauzinhos a marcar o caminho.
Além, do outro lado do vale do rio Ceira que corre seguramente lá em baixo indiferente às minhas pedaladas, o Adamastor da serra do Açôr, o Picoto da Cebola, que subi há dias atrás com uma determinação à Bartolomeu Dias.
Uma e outra e mais outra pedalada e penso em não descer muito de modo a manter-me na cumeada.
Ao fundo, no horizonte, para Oeste começa a ser nítida a Serra da Lousã. Distingo bem o cume da Serra, o Trevim a 1200m, onde já estive umas 50 vezes (com Sol e outras tantas com chuva).
Ao fundo, no horizonte, para Oeste começa a ser nítida a Serra da Lousã. Distingo bem o cume da Serra, o Trevim a 1200m, onde já estive umas 50 vezes (com Sol e outras tantas com chuva).
Mas não é esse o destino hoje. Hoje é pedalar por aqui. Por estradões
e por caminhos
Que belas pedras no caminho. São perfeitas para encostar a bike
e abandonar-me à fruição de um pão com marmelada como se fora o jantar naquele restaurante catalão em Barcelona cuja recordação vai ser difícil de remover da memória.
Enquanto os físicos não resolvem o problema da irreversibilidade do tempo é tempo de fazer umas contas ao tempo. Olhar à volta, ver a direcção do vento, pensar que se tem uma vida para além disto (o que implica voltar a casa) e, penosamente, decidir que é tempo de traçar um percurso de regresso.
Deixa cá ver. Além, ao centro, são os penedos de Fajão, as duas bossas são inconfundíveis. Fajão fica logo ao lado.
Deixa cá ver. Além, ao centro, são os penedos de Fajão, as duas bossas são inconfundíveis. Fajão fica logo ao lado.

Fajão na mira. Estou aos 1050 m de altitude, só tenho que descer até ao rio, a cerca de 500 m, subir a encosta do lado de lá até Fajão, continuar a subir até ao alto da barragem de sta. Luzia, novamente ao 1000 m, além junto à eólicas na linha do horizonte e ...
A tarde ainda quente aconchega-me a descida rápida, evitando o arrefecimento provocado pela evaporação do suor que me ensopa o corpo.
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
S. Pedro do Açôr -Serra do Açôr
Agosto 2015
(Serra do Açôr)
Muita água - check
Sandes de marmelada - check
Protector solar aplicado (um excelente wet skin da ISDIN que não nos deixa com o ar besuntado das top model na praia) - check
Remendos e bomba de ar - check
Telemóvel (para as fotos porque rede não haverá) - check
Uma banana - check
Um esquema que parecem desenhos paleolíticos feito a lápis num papel a partir do Google Earth - check
Colete corta-vento - check
Nervoso miudinho e curiosidade como se fosse um puto a sair de casa pela primeira vez sózinho - check
PLANO: Pedalar nas calmas até à Barragem de Sta. Luzia - subir às eólicas - descer à Covanca - entrar no vale do rio Ceira até à Malhada Chã - subir ao S. Pedro do Açôr - uma vez lá, logo se vê ...
O S. Pedro do Açôr é o segundo monte mais alto da Serra do Açor depois do Cebola. São quase 1400 m de altitude. Ir lá é como andar de bicicleta pela primeira vez. De resto, falta-me o engenho e a arte para descrever a solidão e a rudeza, as pedaladas sob o Sol intenso misturado com o suor o os aromas da urze, o vento na cara e no peito e o vôo planante das aves de rapina, os montes crus e belos, os horizontes com outros horizontes, o cerrar dos dentes e o sorriso estúpido ao atingir os cumes (o sorriso é sempre para os outros, ou não?), a sede e a água quente, as paragens a olhar, as pedras a rolar projectadas pela bike nos caminhos mais íngremes, os ecos de ruídos longínquos e tudo o resto.
Ficam as fotografias, à falta de melhor. Afinal, este é um blog de memórias das pedaladas.
Das mil fotografias da barragem de Sta. Luzia, esta foi tirada um dia antes com um iphone emprestado
Subida às eólicas, estradão até ao "Col de la Covanque" para apanhar a estrada para a Covanca. O planalto da Serra da Estrela espreita lá ao fundo na linha do horizonte ao centro.
Depois da Covanca, no fundo do vale, encontro o rio Ceira ainda na infância, com 3 ou 4 Km apenas depois da nascente. Gosto destes rios que correm por entre as pedras. Ouve-se a água a correr e sente-se uma aroma húmido.
Quem nunca pedalou nestes vales fundos com calor, cheiro a caruma e paredes de verde não sabe o que é pedalar em vales fundos com calor cheiro a caruma e paredes verdes (não encontro maneira melhor de dizer isto). O vale é fundo, olha-se para o lado e vêem-se paredes verdes
A subida, depois da Malhada Chã, é uma bela subida. Dos 800 e tal metros aos 1300 e tal num ziguezaguear serra acima em meia dúzia de km até ao S. Pedro do Açôr. À medida que se ganha altitude o Mundo tem outro aspecto. Fica a sensação de se estar a conquistar alguma coisa. Este é o engano e a magia do BTT.
Mas qualquer coisa acontece quando pedalada após pedalada se prossegue no caminho e a paisagem passa e se ganha altitude e o vento muda e afinal até estou a sentir-me bem a dor nas pernas já passou e mais outra e outra ...
O Cebola lá em cima, do outro lado do vale
E o S. Pedro do Açôr aqui em cima, deste lado parece ali tão perto
S, Pedro do Açôr. Cá estou. E é isto. Virado para Este, ao fundo, em segundo plano, a Serra da Estrela aos 2000 m de altitude
Em baixo, em primeiro plano, a aldeia do Piodão
À esquerda, para Norte, o Colcurinho e, por trás, a Beira Alta na fronteira com a Beira Litoral
Para Sul, o picoto da Cebola, onde tinha estado há dias atrás. As pás gigantes de 30 m vistas daqui não impressionam. À direita, em baixo no vale, a estrada que tinha feito há horas atrás. À esquerda, os ziguezagues para vir até aqui.
Segunda parte do plano: e agora? Estradão das eólicas em direcção Oeste pela cumeada em direcção a Fajão. Cruzar a estrada que vem da Fórnea e segue para o Piodão
E as fotografias de uma das mais belas pedaladas que dei (a partir daqui até Fajão) ficam para o próximo post. Preciso de recuperar o fôlego. O caminho vai ser longo.
(Serra do Açôr)
Muita água - check
Sandes de marmelada - check
Protector solar aplicado (um excelente wet skin da ISDIN que não nos deixa com o ar besuntado das top model na praia) - check
Remendos e bomba de ar - check
Telemóvel (para as fotos porque rede não haverá) - check
Uma banana - check
Um esquema que parecem desenhos paleolíticos feito a lápis num papel a partir do Google Earth - check
Colete corta-vento - check
Nervoso miudinho e curiosidade como se fosse um puto a sair de casa pela primeira vez sózinho - check
PLANO: Pedalar nas calmas até à Barragem de Sta. Luzia - subir às eólicas - descer à Covanca - entrar no vale do rio Ceira até à Malhada Chã - subir ao S. Pedro do Açôr - uma vez lá, logo se vê ...
O S. Pedro do Açôr é o segundo monte mais alto da Serra do Açor depois do Cebola. São quase 1400 m de altitude. Ir lá é como andar de bicicleta pela primeira vez. De resto, falta-me o engenho e a arte para descrever a solidão e a rudeza, as pedaladas sob o Sol intenso misturado com o suor o os aromas da urze, o vento na cara e no peito e o vôo planante das aves de rapina, os montes crus e belos, os horizontes com outros horizontes, o cerrar dos dentes e o sorriso estúpido ao atingir os cumes (o sorriso é sempre para os outros, ou não?), a sede e a água quente, as paragens a olhar, as pedras a rolar projectadas pela bike nos caminhos mais íngremes, os ecos de ruídos longínquos e tudo o resto.
Ficam as fotografias, à falta de melhor. Afinal, este é um blog de memórias das pedaladas.
Das mil fotografias da barragem de Sta. Luzia, esta foi tirada um dia antes com um iphone emprestado
Subida às eólicas, estradão até ao "Col de la Covanque" para apanhar a estrada para a Covanca. O planalto da Serra da Estrela espreita lá ao fundo na linha do horizonte ao centro.
Depois da Covanca, no fundo do vale, encontro o rio Ceira ainda na infância, com 3 ou 4 Km apenas depois da nascente. Gosto destes rios que correm por entre as pedras. Ouve-se a água a correr e sente-se uma aroma húmido.
Quem nunca pedalou nestes vales fundos com calor, cheiro a caruma e paredes de verde não sabe o que é pedalar em vales fundos com calor cheiro a caruma e paredes verdes (não encontro maneira melhor de dizer isto). O vale é fundo, olha-se para o lado e vêem-se paredes verdes
A subida, depois da Malhada Chã, é uma bela subida. Dos 800 e tal metros aos 1300 e tal num ziguezaguear serra acima em meia dúzia de km até ao S. Pedro do Açôr. À medida que se ganha altitude o Mundo tem outro aspecto. Fica a sensação de se estar a conquistar alguma coisa. Este é o engano e a magia do BTT.
Mas qualquer coisa acontece quando pedalada após pedalada se prossegue no caminho e a paisagem passa e se ganha altitude e o vento muda e afinal até estou a sentir-me bem a dor nas pernas já passou e mais outra e outra ...
O Cebola lá em cima, do outro lado do vale
E o S. Pedro do Açôr aqui em cima, deste lado parece ali tão perto
S, Pedro do Açôr. Cá estou. E é isto. Virado para Este, ao fundo, em segundo plano, a Serra da Estrela aos 2000 m de altitude
Em baixo, em primeiro plano, a aldeia do Piodão
À esquerda, para Norte, o Colcurinho e, por trás, a Beira Alta na fronteira com a Beira Litoral
Para Sul, o picoto da Cebola, onde tinha estado há dias atrás. As pás gigantes de 30 m vistas daqui não impressionam. À direita, em baixo no vale, a estrada que tinha feito há horas atrás. À esquerda, os ziguezagues para vir até aqui.
Segunda parte do plano: e agora? Estradão das eólicas em direcção Oeste pela cumeada em direcção a Fajão. Cruzar a estrada que vem da Fórnea e segue para o Piodão
E as fotografias de uma das mais belas pedaladas que dei (a partir daqui até Fajão) ficam para o próximo post. Preciso de recuperar o fôlego. O caminho vai ser longo.
sábado, 22 de agosto de 2015
Serra do Açôr - BTT para poetas
Serra do Açôr
(Agosto 2015)
Poetas de altitude, pelo menos acima dos 1000 m !
É por aqui e em outros horizontes do mesmo tipo que eu gosto de pedalar. É duro mas o que é que isso importa. De vez em quando paro, tiro o telemóvel, e disparo a fotografia.
O Cebola com uma nuvem como que a pousar no cume numa focagem mais próxima
Os penedos de Fajão ao fundo
Passei nas eólicas na linha do horizonte à esquerda
É duro e rude, já disse,
mas o que é que isso importa!
Um dia destes tentarei ir por ali, depois apanho aquela cumeada e ... pois, cada descida ao vale implica subir depois uns 400 m em altitude, pelo menos ...
(Agosto 2015)
Poetas de altitude, pelo menos acima dos 1000 m !
É por aqui e em outros horizontes do mesmo tipo que eu gosto de pedalar. É duro mas o que é que isso importa. De vez em quando paro, tiro o telemóvel, e disparo a fotografia.
O Cebola com uma nuvem como que a pousar no cume numa focagem mais próxima
Os penedos de Fajão ao fundo
Passei nas eólicas na linha do horizonte à esquerda
É duro e rude, já disse,
mas o que é que isso importa!
Um dia destes tentarei ir por ali, depois apanho aquela cumeada e ... pois, cada descida ao vale implica subir depois uns 400 m em altitude, pelo menos ...
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Estes dias no Açôr
Agosto 2015
(Serra do Açôr)
Como é que se preserva a memória das pedaladas nas cumeadas no Açôr? Na memória, pois. Mas e as fotografias? As fotografias ... bem, talvez seja necessário torná-las indistintas para que se adivinhe o que lá está mas não se vê (if you know what I mean).
(Serra do Açôr)
Como é que se preserva a memória das pedaladas nas cumeadas no Açôr? Na memória, pois. Mas e as fotografias? As fotografias ... bem, talvez seja necessário torná-las indistintas para que se adivinhe o que lá está mas não se vê (if you know what I mean).
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Agosto no Cebola
Agosto 2015
(Serra do Açôr - Picoto da Cebola)
A cada volta da Terra ao Sol é quase certo Abril águas mil, Natal em Dezembro, vinho em Setembro e Agosto no Cebola ...
A subida ao Picoto da Cebola, ponto mais alto da Serra do Açôr a cerca de 1400 m de altitude, tem sido sido, nos últimos anos, a primeira de muitas pedaladas por estas serranias quando venho para estas bandas em Agosto.
Subi pelo lado do "col de la Covanque" (quer dizer, a partir do cruzamento para a Covanca) com um calor infernal e desci pelo lado Norte com chuva, por um atalho direito às Meãs de tal modo inclinado que a mochila com a água me caía para a cima da nuca.
Poucas paragens para fotografias, contrariamente ao que é costume, porque ir ao Cebola é como que ir numa missão; é ir ali pelas cumeadas deslumbrantes, a levar com o vento e na pedalada certa, esperando que a fortuna a deixe durar muito! Esta é uma volta para poetas.
Casa do Guarda ao cimo da Barragem de Santa Luzia (ao fundo). Aqui é a terra do xisto.
Apanhado o estradão das Eólicas, já acima dos 1000 m passo sobre a aldeia de Fajão à esquerda (cujo edifício da antiga cadeia foi transformada em hospedaria "bike friendly"!) emoldurada pelos penedos do mesmo nome. A linha do horizonte é disfarçada pelo fumo dos incêndios recentes.
Lá está o Picoto da Cebola, o cone em primeiro plano. O risco branco do lado esquerdo é a estrada que me levará lá acima. Por trás, o planalto central da Serra da estrela aos 2000 m. A nascer no planalto da Estrela avista-se um cone de fumo do incêndio que neste dia assola a região de Gouveia e Manteigas.
A partir daqui foi velejar até ao sopé do Picoto pelo estradão. Um último olhar para trás, antes de iniciar a subida; os penedos de Fajão ao fundo.
E pedalada após pedalada, com mais ou menos derrapagem na pedra solta, mais suor a arder nos olhos ou menos força para tirar o bidão e beber água ... sobem-se os 3 km até lá acima.
E, uma vez lá, no cimo, é tempo de deixar o ar e tudo o resto entrar pelo peito dentro. A Torre, ponto mais alto de Portugal Continental, ali ao lado do capacete.
Ali
Aqui estamos no coração da cordilheira localizada na região centro de Portugal, a região das Beiras, desde a Beira Baixa à Beira Litoral, passando pela Beira Alta (Serras da Estrela, Açôr e Lousã). É uma espécie de espinha dorsal transversal. Ouvi dizer que é o local de onde se avista mais território em Portugal; desde o Alto Alentejo a Sul até ao Marão a Norte e da Estrela a Este (e por trás a Sudeste a Serra da Gata em Espanha) até ao mar a Oeste.
Para Sudeste. A serra da Gardunha ao centro, na linha do horizonte.
Para Sul
Sudoeste. A barragem de Sta. Luzia ao fundo, o local onde terminarei as pedaladas.
Oeste. O Trevim (1200 m) na Serra da Lousã, quase invisível devido ao fumo e à neblina na linha do horizonte.
Norte. S. Pedro do Açôr em primeiro plano e a Beira Alta por trás sob fumo. Nota-se o cume da Serra do Caramulo como um traço negro a cortar a mancha branca por baixo das nuvens..
E Este. O planalto da Estrela
Aqui já há granito, a pedra dura e fria.
"Aeolus" (deus Grego dos ventos) passa por aqui com frequência durante escapadelas do Olimpo.
Pois, mas é hora de descer. A ideia é apanhar aquele caminho que me leva ao planalto ali em baixo e, depois, descer até ao vale das Meãs. Dos 1400 aos 750 m num instante.
Lá em baixo, na bifurcação do caminho, virarei à direita na direcção das Meãs. Um outro dia irei pela esquerda, pelo vale magnífico até S. Jorge da Beira.
O céu fechou, caíram umas pingas e na barragem de St. Luzia uma hora e meia depois a chuva era já copiosa. A barragem está muito baixa, como poucas vezes a tenho visto. E vejo-a há muitos anos.

Olho agora daqui da barragem para o Cebola quando há um par de horas olhava do Cebola para aqui e mal se distinguia a barragem. O perfil na linha do horizonte, do cone do Cebola para o ombro (planalto onde bifurca o caminho) à direita descreve o trajecto que fiz a descer.
Foram as primeiras no Açôr. Outras pedaladas virão mas Agosto no Cebola está cumprido.
(Serra do Açôr - Picoto da Cebola)
A cada volta da Terra ao Sol é quase certo Abril águas mil, Natal em Dezembro, vinho em Setembro e Agosto no Cebola ...
A subida ao Picoto da Cebola, ponto mais alto da Serra do Açôr a cerca de 1400 m de altitude, tem sido sido, nos últimos anos, a primeira de muitas pedaladas por estas serranias quando venho para estas bandas em Agosto.
Subi pelo lado do "col de la Covanque" (quer dizer, a partir do cruzamento para a Covanca) com um calor infernal e desci pelo lado Norte com chuva, por um atalho direito às Meãs de tal modo inclinado que a mochila com a água me caía para a cima da nuca.
Poucas paragens para fotografias, contrariamente ao que é costume, porque ir ao Cebola é como que ir numa missão; é ir ali pelas cumeadas deslumbrantes, a levar com o vento e na pedalada certa, esperando que a fortuna a deixe durar muito! Esta é uma volta para poetas.
Casa do Guarda ao cimo da Barragem de Santa Luzia (ao fundo). Aqui é a terra do xisto.
Apanhado o estradão das Eólicas, já acima dos 1000 m passo sobre a aldeia de Fajão à esquerda (cujo edifício da antiga cadeia foi transformada em hospedaria "bike friendly"!) emoldurada pelos penedos do mesmo nome. A linha do horizonte é disfarçada pelo fumo dos incêndios recentes.
Lá está o Picoto da Cebola, o cone em primeiro plano. O risco branco do lado esquerdo é a estrada que me levará lá acima. Por trás, o planalto central da Serra da estrela aos 2000 m. A nascer no planalto da Estrela avista-se um cone de fumo do incêndio que neste dia assola a região de Gouveia e Manteigas.
A partir daqui foi velejar até ao sopé do Picoto pelo estradão. Um último olhar para trás, antes de iniciar a subida; os penedos de Fajão ao fundo.
E pedalada após pedalada, com mais ou menos derrapagem na pedra solta, mais suor a arder nos olhos ou menos força para tirar o bidão e beber água ... sobem-se os 3 km até lá acima.
E, uma vez lá, no cimo, é tempo de deixar o ar e tudo o resto entrar pelo peito dentro. A Torre, ponto mais alto de Portugal Continental, ali ao lado do capacete.
Ali
Aqui estamos no coração da cordilheira localizada na região centro de Portugal, a região das Beiras, desde a Beira Baixa à Beira Litoral, passando pela Beira Alta (Serras da Estrela, Açôr e Lousã). É uma espécie de espinha dorsal transversal. Ouvi dizer que é o local de onde se avista mais território em Portugal; desde o Alto Alentejo a Sul até ao Marão a Norte e da Estrela a Este (e por trás a Sudeste a Serra da Gata em Espanha) até ao mar a Oeste.
Para Sudeste. A serra da Gardunha ao centro, na linha do horizonte.
Para Sul
Sudoeste. A barragem de Sta. Luzia ao fundo, o local onde terminarei as pedaladas.
Oeste. O Trevim (1200 m) na Serra da Lousã, quase invisível devido ao fumo e à neblina na linha do horizonte.
Norte. S. Pedro do Açôr em primeiro plano e a Beira Alta por trás sob fumo. Nota-se o cume da Serra do Caramulo como um traço negro a cortar a mancha branca por baixo das nuvens..
E Este. O planalto da Estrela
Aqui já há granito, a pedra dura e fria.
"Aeolus" (deus Grego dos ventos) passa por aqui com frequência durante escapadelas do Olimpo.
Pois, mas é hora de descer. A ideia é apanhar aquele caminho que me leva ao planalto ali em baixo e, depois, descer até ao vale das Meãs. Dos 1400 aos 750 m num instante.
Lá em baixo, na bifurcação do caminho, virarei à direita na direcção das Meãs. Um outro dia irei pela esquerda, pelo vale magnífico até S. Jorge da Beira.
O céu fechou, caíram umas pingas e na barragem de St. Luzia uma hora e meia depois a chuva era já copiosa. A barragem está muito baixa, como poucas vezes a tenho visto. E vejo-a há muitos anos.

Olho agora daqui da barragem para o Cebola quando há um par de horas olhava do Cebola para aqui e mal se distinguia a barragem. O perfil na linha do horizonte, do cone do Cebola para o ombro (planalto onde bifurca o caminho) à direita descreve o trajecto que fiz a descer.
Foram as primeiras no Açôr. Outras pedaladas virão mas Agosto no Cebola está cumprido.
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