quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Eleições 2015

30 de Setembro de 2015


Este é um blog de memória das pedaladas.
Não é hoje o caso. Esta é a primeira excepção.

Indo ao essencial:

Nunca antes, como nestes últimos anos, houve uma “agenda” política.
Uma agenda escondida, cínica, eficaz e odiosa.
Uma agenda anti-civilização.
Uma agenda cúmplice entre orgãos de poder e de soberania.
Uma agenda que desinvestiu na Ciência (entre outros pilares do bem-estar como a saúde, segurança social, educação), uma das áreas em que crescemos e contribuimos e trabalhámos afincadamente e fomos parceiros reconhecidos de uma comunidade internacional.
Tal desmantelamento de pilares civilizacionais varre (de alguma maneira) a Europa. Mas, aqui, a descrença, a ignorância, o tratar da vidinha, a apatia, o clubismo acrítico, a falta de memória, a incapacidade de organização formam uma nuvem muito pesada sobre as nossas cabeças.

Nunca antes fomos usados como cobaias em experiências económicas à escala do país com base num artigo de dois professores de Harvard que se mostrou ser baseado em premissas erradas. Nunca antes bailámos como marionetas num teatro manipulados por cordas cuja origem apenas vislumbramos e com os políticos eleitos na plateia a aplaudir. O principal artífice desta experiência em Portugal, o ministro das finanças, admitiu-o, resignando. Entra a ministra e lá vamos cantando e rindo como se nada se tivesse passado.



Por isso, não me venham dizer que é tudo a mesma coisa, que são todos iguais. Para além da mercearia do dia-a-dia e do curto-prazo há ideias e concepções  de sociedade e de civilização que são essenciais e têm impacto nas próximas décadas.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A agitação breve do arbusto ...

Setembro de 2015
(Serra da Lousã)

... ou, "olha o Manoel de Oliveira das bikes".
Ou, "a sustentável leveza da pedalada".



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A linha fina entre a sombra e a realidade

Serra da Lousã
(Setembro 2015)

... ou, "olha o Stanley Kubrick das bikes" !
Ou, "2015 odisseia pedalística pelo vale da ribeira de S. João acima quase ao por-do-Sol"
Ou, "deixa cá ver se consigo filmar isto com alguma naturalidade enquanto pedalo"

O jogo de sombras é a realidade.


Até a sombra se diluir nos pixels


Ou até as sombras morrerem ao Sol



sábado, 26 de setembro de 2015

Já vi o mar do Cabeço Marigo

26 de Setembro de 2016
(Cabeço Marigo a 950 m de altitude na Serra da Lousã)

Hoje vejo um manto de nevoeiro que cobre todo o vale entre as serras da Lousã e do Caramulo.
O planalto da serra do Buçaco espreita por entre o nevoeiro à esquerda na fotografia.


As centenas de povoações e os milhares de pessoas que habitam o vale estão terão um dia cinzento, pelo menos até meio da manhã.
Já o adivinhava. São muitos anos a virar frangos. À saída da Lousã, quando comecei a subir a serra, previa que aos 400-500 m de altitude o Sol brilharia, intenso. É um fenómeno curioso. Há uma definição clara, uma transição nítida, uma linha fina que separa o nevoeiro do céu azul. Visto daqui a cobertura de nevoeiro é plana.


Na subida, vai-se pedalando na expectativa do céu azul.  Na descida, é mais do que o oposto. Não é apenas voltar ao nevoeiro. É como mergulhar num poço. À mediada que se desce, na zona de transição, começa a perceber-se o nevoeiro nos lábios e como um friozinho húmido na ponta da língua.
Pedalar aqui em cima neste dias torna tudo mais ... azul !


É uma viagem à Troposfera.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Against the wind

Serra da Lousã
(Dezembro de 2011)

Against the wind, ou a "a geometria já não é o que era", ou "não sei por onde vou mas não vou por aí", ou "rebanhos não, obrigado".




quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A diferença entre as minhas e as do Lance

... é que as pernas do Lance Armstrong têm mais pêlos do que as minhas :)))))))))

(fotografia da net)


domingo, 20 de setembro de 2015

De S. Pedro do Açôr a Fajão and beyond

Serra do Açôr
(Agosto 2015)

Este é o princípio da segunda parte. Ia a tarde ainda quente. Another Perfect Day

De um lado, a Sul, afundado obliquamente na encosta até ao rio Ceira, o vale sobre a aldeia do Tojo era percorrido por um caminho que me levava ao Porto da Balça e à barragem do Alto Ceira. Não o vejo mas sei-o bem, tinha-o visto no Google Earth na véspera. E, se estava no écran do meu computador é porque era real.
Do outro lado, para Norte, uma passagem mais humana. Caminhos mais previsíveis. Vêem-se aldeias aninhadas nos vales e nas encostas. Hão-de até os os sinos das igrejas ecoar pelos vales. Os nomes lembram os das crateras na Lua: Piodão, Soito da Ruiva, Sobral Gordo, Mourisia, Moura da Serra, Casarias, Pardieiros, Benfeita, Sardal, Relva Velha, Parroselos, Sardal e mais uns quantos lugares mais pequenos.

Entre o Sul e o Norte, optei por nenhum deles e segui Oeste (em frente), pela cumeada que, muito provavelmente, me levaria para os lados de Fajão.

Para Sul


Para Norte. Sobral Gordo, Sobral Magro e Souto da Ruiva em primeiro plano e, adivinhando-se no horizonte, Viseu e a Serra do Caramulo.


En frente a olhar para trás (o planalto da Serra da Estrela a marcar a linha do horizonte ao centro e S. Pedro do Açôr, de onde venho, à esquerda)


Em frente a olhar para a frente


Apesar do estradão das eólicas, o isolamento aqui é intenso. É a solidão das serranias. Conheço-a bem.
O que está para lá da curva? O Reino da rainha de Sabá?
Estes horizontes sobrepostos são de uma desolação épica. Os tons azulados vão-se desfazendo na distância. 


É uma paisagem sem dimensões, sem coordenadas x, y z.


Olho para trás novamente e o alinhamento quase indistinto das eólicas na linha do horizonte traça o percurso que já fiz, desde S. Pedro do Açôr (pico mais alto à direita). Com se tivesse deixado uns pauzinhos a marcar o caminho.



Além, do outro lado do vale do rio Ceira que corre seguramente lá em baixo indiferente às minhas pedaladas, o Adamastor da serra do Açôr, o Picoto da Cebola, que subi há dias atrás com uma determinação à Bartolomeu Dias.


Uma e outra e mais outra pedalada e penso em não descer muito de modo a manter-me na cumeada.


Ao fundo, no horizonte, para Oeste começa a ser nítida a Serra da Lousã. Distingo bem o cume da Serra, o Trevim a 1200m, onde já estive umas 50 vezes (com Sol e outras tantas com chuva).




Mas não é esse o destino hoje. Hoje é pedalar por aqui. Por estradões


e por caminhos


Que belas pedras no caminho. São perfeitas para encostar a bike


e abandonar-me à fruição de um pão com marmelada como se fora o jantar naquele restaurante catalão em Barcelona cuja recordação vai ser difícil de remover da memória.


Enquanto os físicos não resolvem o problema da irreversibilidade do tempo é tempo de fazer umas contas ao tempo. Olhar à volta, ver a direcção do vento, pensar que se tem uma vida para além disto (o que implica voltar a casa) e, penosamente, decidir que é tempo de traçar um percurso de regresso.

Deixa cá ver. Além, ao centro, são os penedos de Fajão, as duas bossas são  inconfundíveis. Fajão fica logo ao lado.





Fajão na mira. Estou aos 1050 m de altitude, só tenho que descer até ao rio, a cerca de 500 m, subir a encosta do lado de lá até Fajão, continuar a subir até ao alto da barragem de sta. Luzia, novamente ao 1000 m, além junto à eólicas na linha do horizonte e ... 


e, umas horas, uma barra de cereais que anda meu bolso da jersey há meses, suor nos olhos que tornava indefinida a estrada, depois ... surge a barragem de Sta. Luzia. Estou a chegar (ou a terminar, na outra perspectiva).


A tarde ainda quente aconchega-me a descida rápida, evitando o arrefecimento provocado pela evaporação do suor que me ensopa o corpo.