segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Entra Novembro

1 Novembro 2015
(Serra da Lousã)

Peguei na bike de montanha e pedalei até à montanha. Pedalei pela serra acima, até ao cume. No cume, aos 1200 m, no Trevim, tem-se já a sensação da montanha.

Nos caminhos da serra, por entre os carvalhos e castanheiros, a meia encosta do lado Norte, o dia estava ameno. Belo e ameno.


No chão, o tapete de pedras e ouriços das castanhas tornava as pedaladas pouco confortáveis, como convém. Cheguei à conclusão de que os pitões do sapatos de BTT são uma ferramenta excelente para abrir os ouriços de modo a ter acesso às castanhas aninhadas naquela cama de picos.


Houve tempo para parar e olhar o contraste dos carvalhos com os pinhos (como lhes chama o meu pai)


para me deixar ofuscar ligeiramente, apenas ligeiramente, pela luz que vem do vale e invade os caminhos


Depois, mais acima, a floresta acaba e os horizontes abrem. O dia ameno ficou menos ameno. Transformou-se em medianamente agreste.


Mais acima, na aproximação ao cimo da Serra (Trevim), Aeolus, o deus Grego dos ventos, abre os portões a Eurus, deus do vento Sul, que veio por ali desenfreado e quase me atirava ao chão e me empurrava para baixo, impedindo-me de pedalar caminho acima para atingir o cume.
Os últimos pinheiros que por ali havia inclinavam-se para Norte à passagem de Eurus.


Parei para comer metade de um pão com marmelada e retemperar forças. Adivinhava uns difíceis últimos 500 m.



Foi uma luta renhida entre mim e Eurus; eu a puxar para cima e ele a empurrar-me para baixo.
Houve dois ou três momentos que quase fui vencido, mas cheguei. De dentes cerrados mas cheguei.


Traiçoeiro, Eurus, na descida pelo lado Sudeste, aproveitou para me tentar atirar da bike apanhando-me lateralmente. Parei, comi o resto do pão com marmelada


e vim a travar, evitando ganhar velocidade. Era o truque para fintar Eurus. As pequenas ervas rasteiras tombavam, quase tocando o chão, sob o poder de Eurus.


Na descida passei pela floresta de Cabeço Marigo.
Aeolus e Eurus tinham feito estragos. Alguns seres vivos magníficos tinham tombado, impedindo o caminho.


Esse era o menor dos problemas, é lendária na região a minha perícia BTTista em ultrapassar obstáculos. Pelo menos na região, cerca de 200 m, entre as ribeiras de S. João e da Fórnea. Com um toque subtil faço levantar a bike, depois, dando um ligeiro impulso, desloco o centro de gravidade para o lado de lá e, violá! É notória a elegância, o equilíbrio e a complementaridade homem-máquina, qual Grou japonês na dança de acasalamento.


A partir daqui foi abrir pela N236 abaixo, passei pelo Candal, e rapidamente cheguei a casa. Estava com alguma pressa; tinha uns sargos para grelhar para o almoço.

Entrou Novembro.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

ó rama ó que linda rama

Outubro 2015
(serra da Lousã)

 ... ó rama da oliveira ...

(ouvEr o vídeo com o som no máximo,
... de outro modo perdem-se as nuances tímbricas, a sequência perfeita dos silêncios emoldurados por imprevisíveis contra-pontos de jorros sonoros, a alternância fluida das frequências graves com as agudas ...)



segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A primeira como deve ser

25 de Outubro, 2015
(Serra da Lousã)

De manhã abri os estores e as gotas da chuva penduradas nas folhas que ainda restam na cerejeira (uma cerejeira que me entra pelo quarto adentro, literalmente) diziam-me que, ao contrário do previsto, chovera durante a noite. E pela manhã também, o ar estava húmido denso e os aromas intensos. A temperatura era de Abril, não de Outubro, 11 graus Celsius. Os caminhos na serra deveriam estar pesados, lamacentos nos troços de terra e escorregadios nos pedregosos e com raízes. Enquanto fazia umas contas de cabeça (daasssssss... tinha planeado dar as primeiras pedaladas a valer na Merida nova - umas 3 ou 4 horas com umas boas subidas por caminhos pela serra acima ... e afinal vou-me atascar na lama e apanhar uma bela molha) começou a chover. Olhei o céu para Sul, para Nordeste e para Sudeste e convenci-me que o "tempo ia abrir" e, assim, toca a despachar que se faz tarde (comer, equipar, preparar tudo ...).  Na dúvida avança-se.

Subida da serra por Vale Nogueira, tal como pensado na véspera. É que isto de quebrar planos deixa uma mal-estar que se instala no espírito e é muito difícil sair. Chovia e pensei que talvez fosse boa ideia ir para outro lado mas, num rasgo racional e de uma lógica imbatível pensei: que se lixe, vou por onde pensei ir. Com sorte avistarei uns veados, como aconteceu já algumas vezes por aqueles lados.

Fiz a primeira paragem logo à saída da Lousã. Gosto de ver o tanque de pedra aninhado sob o castanheiro, sobretudo nos dias de chuva. Apanhei duas castanhas que fui roendo enquanto pedalava serra acima.


Ganhei altitude, o "tempo abriu" e na passagem por Vale de Nogueira, o Sol aparecia, dissipando a neblina encostada nos vales e que eu via agora por cima. O caminho pesado, como previsto, atapetado de folhas (sobretudo de castanheiro) ia-se fazendo com a dose de esforço que sabe bem fazer; é que é preciso experiência para acertar na pedalada certa.
Quase a chegar ao marco geodésico do Espinheiro e apenas uns farrapos de neblina sobravam da manhã húmida.


Lá ao longe, para os lados de Penacova, percebia-se, no entanto, uma neblina cerrada sobre o vale por onde corre o rio Mondego.



A passagem pelo Espinheiro é um momento especial. O grande prado, no planalto de altitude, segundo me dizem, é o local onde na Primavera os veados se reúnem ao final do dia. Contorno-o pela parte superior porque  ideia é subir.


Subir para atravessar a floresta dos abetos, dos castanheiros e dos carvalhos acima dos 800 m de altitude. Estava na expectativa para ver o Sol por entre as árvores


a fresta de luz sobre o caminho escuro


as cores contrastando com os ramos a contra-luz


o chão coberto de folhas e os aromas húmidos da terra e das folhas em decomposição.


A partir daqui, o dia estava cheio mas fui ainda virar ao Cabeço Marigo


E, depois, a descida rápida para atingir a estrada asfaltada no Terreiro das Bruxas até Cacilhas foi o plano escolhido. Fazia-se tarde.


Foi abrir por ali abaixo, apenas com uma paragem para apanhar umas castanhas e roer duas ou três a 50 km por hora.



Pouca kilometragem mas bela e dura como convém na primeira como deve ser. A primeiras pedaladas a valer na Merida. Agora sei o que consigo fazer com esta bike.

sábado, 24 de outubro de 2015

Dia branco, céu baixo e Suzanne

24 de Outubro de  2015

Dia branco, céu baixo, neblina ... dia de ir ver o o rio Ceira e a serra ao longe filtrada pela cortina da chuva


e voltar



Banda sonora para o caminho (a rodopiar na minha memória): Suzanne
A chuva a bater na cara e os acordes iniciais da guitarra a martelar na cabeça, e a memória das palavras a ficar cada vez mais nítida ... her place near the river ...  she feeds you tea and oranges ... only drowning men could see him ... you touched her perfect body your your mind... and you can trust her...


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O dia tem que começar de alguma maneira

Outubro 2015
(Serra da Lousã - S. Lourenço)


a cores


ou a preto e branco ...


... mas tem que começar de alguma maneira.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Merida, verde, branco e preto (versão "hard rain´s a-gonna fall")

Outubro 18, 2015

As primeiras pedaladas na Merida numa versão a hard rain's a-gonna fall:

em verde (no momento em que a ventania traz as grossas gotas de chuva escondidas pela aparentemente inofensiva neblina);



em branco (entre duas bátegas vai dar para dar umas pedaladas , oh vãs pensamentos ...),


em preto (e a neblina assapou-se pelos montes abaixo);


e amarelo (que entra na história à última hora).


E agora tudo junto (e molhado), e com um traço a vermelho.


Concretizou-se a chuvada torrencial mas, como me disse uma vez J. Santana do alto dos seus 70 anos e com a voz firme e tranquila de quem revela o óbvio, não é por estar a chover que deixamos de andar de bicicleta.

Resumo da história: uma bela de uma bike.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Cont.

... o último post, ali em baixo, ia longo e penoso.  Parecia um epitáfio. Não foi. Foi o que este blog é; um mecanismo virtual de reforço sináptico. Poderia ter sido menos longo mas, bem vistas as coisas, foi muito breve em face do que haveria para reforçar sinapticamente (o que quer que isto signifique !). 

Indo ao que interessa (porque para além da memória me interessa - muitíssimo - a imagem). Quero pôr mais estas no post anterior:


os detalhes do caminho


ou o caminho sem detalhes