quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O castelo da princesa Peralta

Serra da Lousã
Janeiro 2016

Neblínico, como convém aos castelos lendários.


Zoom out ...


... and out

... and oooooooooooooouuuuuuuuuuuuuuuttttttttttttttt


Ou, pensando melhor, zoom in para outros lados.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Facing the storm

Serra da Lousã
(12 de Janeiro de 2016)


by the morning, pela fresquinha, como o outro que gostava do cheirinho a Napalm pela manhã, assim é que se começa o dia, ah que prazer não cumprir um dever como também dizia outro, mas mais logo vai sair-me do pêlo com trabalho pela noite dentro, mas não vou antecipar o problema, por agora o pêlo leva com uma belas de umas cargas de água em cima, e o cheiro da chuva é para mim como o do Napalm para o outro


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Barragem Sta. Luzia (Serra do Açôr): 5 dias depois com Merlin

Serra do Açôr - Barragem de Sta. Luzia
(31 de Dezembro de 2015)


De novo nos caminhos à volta da barragem. De novo no mesmo local por onde pedalei nos últimos dias. E, afinal, tudo diferente. Silencioso. Irreal. Merlin passou por aqui.


Saí dali para a realidade, para as cores, as pedras, as árvores ... que conheço.


Hoje completa-se mais uma volta ao Sol. Amanhã, dia 1 de Janeiro de 2106, iniciamos outra, embora nunca estejamos no mesmo local neste Universo em expansão.

Pela primeira vez, publico aqui uma fotografia que não tirei. Esta é da NASA e mostra o local por onde tenho pedalado visto à distância.
(imagem da Terra tirada a 6 mil milhões de Km de distância pela Sonda Voyager em 1990).





quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

De volta, dois dias depois

29 de Dezembro de 2015
Serra do Açôr
(Barragem de Sta. Luzia)

... aos mesmos sítios que nunca são os mesmos.
Vai um tipo por ali fora a pedalar pelo caminho de há dois dias atrás, a pensar em qualquer coisa, menos atento ao percurso que pensa que já conhece e, às tantas, olhamos em frente com olhos de ver e ... pumba ... levamos com isto em cima:


É que nem as pedras são as mesmas de há dois dias atrás. O nível da água está mais baixo. Vêem-se vestígios das paredes das casas que havia na parte baixa do vale inundado para construir a barragem.


A ideia é pedalar, desenhando o contorno da barragem pelo caminho que o traça.


Curva, contra-curva, fazem-se todos os recantos dos vários braços da barragem.
E vai um tipo por ali fora embevecido, como um puto que sai sozinho da sua rua pela primeira vez. Passei aqui há dois dias, e antes disso muitas outras, mas parece a primeira vez que por aqui pedalo. Há padrões que se reconhecem (os penedos, o azul, o brilho, pinheiro ali na curva com a poça da água de que me desviei ...), que nos comunicam alguma familiaridade mas, ao mesmo tempo, há uma mistura nova de tudo isto que cria a novidade. 


As nuvens ora baixavam, cobrindo os penedos, ora levantavam, deixando ver um Sol filtrado. Estas alterações que ocorriam sob forte ventania, eram acompanhadas pela variação das cores, dos reflexos na água, das sombras ... Belíssimo.



Depois de várias tentativas, lá consegui entalar a florzinha de estufa (o telemóvel novo) entre duas pedras para tirar uma selfie e registar a memória das pedaladas. Não saiu incólume, quando o tentava apanhar, caiu de frente, rebolou na barreira de terra e pedras e ficou um risquinho no écran. Naquele local isolado, o vento levou-me as palavras ditas aos berros em linguagem tabernácula. Depois do desabafo segui caminho determinado a voltar ao meu Nokia de guerra que usei durante 5 anos.


Segui o caminho até à Malhada do Rei. Bem, até 1km antes da Malhada do Rei. É que vi um caminho à esquerda que subia o monte e, pensei eu, seguramente iria dar à estrada asfaltada que me levaria ao Vidual e ao Cabril. Que subida dos infernos. Cansava mais os abraços do que as pernas, tal era a força com que agarrava o guiador, todo deitado para a frente, sentado (por assim dizer !) na ponta do selim (na ponta, o selim é demasiado fino para falarmos em sentar, é mais, como é que hei-de dizer isto ... um ponto de apoio bem entalado na concavidade entre os ísquios sobre o qual não convém fazer muita pressão, if you know what I mean !), impedindo a roda da frente de levantar do chão.
Quem faz BTT conhece esta dificuldade. Muitas vezes, o problema das subidas íngremes é manter a roda da frente no chão.


Uns quantos impropérios (ah como é bela esta palavra) depois cheguei, como previsto, à estrada.
Quem faz BTT também sabe que uns desabafos em linguagem tabernácula ajudam muito nas subidas.

A partir daqui foi sempre a abrir em direcção ao Vidual (por onde tinha começado o caminho que me levou à barragem), que avistei sob um Sol encoberto com a barragem ao fundo.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Serra do Açôr - barragem de Sta. Luzia

26 Dezembro de 2015
(Serra do Açôr - barragem Sta. Luzia)

Nas minhas pedaladas pelas serranias páro com frequência para tirar fotografias. No último post, ali em baixo, "postei" as últimas que tirei com o Nokia E5, a máquina de guerra  que me acompanhou nos últimos 5 anos. Cheguei a enterrá-lo na terra até meio, apenas com a objectiva de fora, para tirar fotografias e registar a memória das pedaladas.
Hoje, foram as primeiras pedaladas com o iPhone. Estou feito com isto! O iPhone é uma florzinha de estufa; tirar as luvas, abrir o estojo (pois, pois, vai numa caminha confortável e macia no bolso da camisola), ligar, ter cuidado para não sujar ou, pior, cair e outros mil cuidados.

Barragem de Sta. Luzia. Uma albufeira aos 700 m de altitude com o picoto da Cebola a encimar o horizonte (BTT para poetas como já uma vez aqui atestei categorica e pragmaticamente) e o planalto da Estrela a limitar o horizonte para Este.

O plano: bem, serão as primeiras pedaladas com o iPhone no bolso e vamos lá então apanhar o caminho que desenha o perímetro da barragem, tirar umas fotografias e voltar a tempo do almoço. Um plano altamente sofisticado, como se vê.

O caminho apanhei-o logo depois do Vidual de Cima. Há que ir dar a volta ao "barroco", umas das ribeiras que corre para a barragem, passar o que resta de umas hortas outrora cultivadas 


 e passar para o lado de lá, para o caminho de xisto com os "penedos" da barragem em pano de fundo




O caminho traça o perímetro da barragem mas com acessos frequentes à zona da albufeira. Num dos primeiros, encostei a bike a uns arbustos e vamos lá tirar partido do iPhone e tirar uma panorâmica


e, agora,  CLOSER


Estava feita a primeira volta com o iPhone. Tempo de planear o percurso de regresso.
O tempo estará tempestuoso amanhã. O "Meteoblue" não costuma falhar. Não será boa ideia subir para as cumeadas aos 1000 m e andar lá por cima, como ontem. Por isso, voltarei aqui, à barragem.






domingo, 27 de dezembro de 2015

O Nokia num dia de nevoeiro - the last waltz

25 Dezembro 2015
(Serra do Açôr)

Dezembro de 2010. Há 5 anos que ando com o Nokia E5 no bolso da jersey. Chuva, litros de suor, Sol e carradas de pó passaram por ele sem provocar qualquer dano ou disfunção. Com ele registei a memória das pedaladas (algumas aqui vertidas, outras, porque o espaço aqui é limitado, guardadas em pastas noutro local). O Nokia regista na carcaça as marcas das quedas e do tempo.
Agora foi-me oferecido outro telemóvel, um iPhone 6s. Como é que eu vou enterrar uma máquina destas (que custa semanas de ordenado) na terra para tirar uma selfie como fazia com o Nokia? Como é que o vou entalar entre duas pedras, ou no galho de uma árvore (com uma probabilidade de cair acima dos 50%) para tirar uma fotografia na bike? Como é que vou levar a mão suada ou suja de terra ao bolso para o tirar e disparar uma fotografia em meia dúzia de segundos? Como é que o vou colocar  debaixo de uma pedra à chuva para captar aquele momento irrepetível? A seta do tempo é irreversível. Este é um dos pontos centrais da fotografia. Há aquele momento que se pressente, que nos impressiona, que nos entra pelos olhos dentro, inundando uma região algures no cérebro e que, ou se dispara, ou o momento (a impressão original e limpa) passa.

A memória das pedaladas vai ficar mais ténue sem o Nokia.

Hoje foi o último dia a pedalar com o Nokia. Num dia de nevoeiro na Serra do Açôr. Saí aos 700 m de altitude, passei a barragem de Sta. Luzia e subi até aos 1150 m, na expectativa (gorada !) de subir acima das nuvens. O dia prestava-se à despedida; melancólico, não fora a ventania, indistinto e sem horizontes.

Um dia assim:


com vultos indistintos e solitários




sempre na expectativa da próxima curva


A última fotografia, em pose, a sumir-me no nevoeiro. Foi the last waltz.


domingo, 20 de dezembro de 2015

Bate o vento e a memória

Dezembro 2015
(Serra da Lousã - Planalto do Espinheiro)

Muitas vezes, ao carregar as fotografias das pedaladas no computador, olho para elas e vejo o que não vi quando as tirei. Eu estive lá, peguei no telemóvel e disparei a fotografia mas quando as vejo em casa no computador é como se fosse a primeira vez.
Há fotografias que me refrescam a memória; a luz, as cores, as coisas, os aromas ... estão cá, lembro-me dos sítios. Sei que estive lá. Tenho a certeza.
Mas outras, como disse, é como se não estivesse estado no sítio onde as tirei, como se revelassem a essência das coisas, como se, quando tirei a fotografia, um filtro me impedisse de ver com nitidez. É o caso destas ali em baixo.

O contexto facilitava as coisas. Estava com os sentidos à flor da pele. Fazia uma ventania dos infernos. Era arriscado andar por ali. Havia ramos das árvores pelo chão, quebrados pelo vento. Ia atento para não levar com um ramo na cabeça. As árvores oscilavam e gemiam. O planalto do Espinheiro a cerca de 800m de altitude virado a NE presta-se a ser varrido pelo vento. Era uma ventania daquelas que tomba as árvores no caminho por onde pedalamos, nos tira da trajectória (nos casos mais suaves, nos outros atira-nos ao chão) quando nos apanha de lado e se transforma num muro quando pedalamos com ela pela frente. Como é costume, gosto destas coisas. Tal como canta a  Katie Melua (The closest thing to crazy): feeling twenty-two, acting (cycling !) seventeen.

A fotografia. Nada de especial. Apenas o céu, as nuvens e as ervas mas ... o céu tempestuoso de Este parece colidir com o céu pálido de Oeste e a textura das ervas, dobradas até ao chão pelo vento, contrasta tanto com as curvas suaves das nuvens e as eólicas ao fundo na cumeada ali, parecendo imóveis a esta distância, como se nada tivessem a ver com o assunto.


Bate o vento e o céu muda a cada 2 minutos. Tenho uma memória difusa de por ali ter passado. O vento soprava forte e mais cedo ou mais tarde a chuva iria bater forte também.


Mas tenho a prova. Estive lá.