sexta-feira, 16 de novembro de 2018

The "Ribeira da Sardeira", a documentary by João L. Attenborough


November early morning, a light and cooled mist dampens the leaves and rocks on my way to nowhere ... water flows in turns and no decisions are needed ... this is a place of beauty and wonder ...






Andei por ali a acartar pedras para atravessar para o outro lado da ribeira. Pedras pesadas, húmidas e cobertas de musgo. Há que ter cuidado quando se levanta uma pedra; podemos ter encontros imediatos do terceiro grau com insectos e, não querendo estragar o seu habitat, não os queremos a rastejar braços acima. Três pedregulhos, várias escorregadelas e meia dúzia de imprecações tabernáculas depois tinha um caminho de pedras que atravessava a ribeira.

Já na outra margem, fui caminhando ribeira acima ... a light and cooled mist dampens the leaves and rocks on my way ...

OK, vamos a isso. Ribeira da Sardeira, take 1:



Pé ante pé, ribeira acima até uma parede de pedra em que havia uma passagem, não para a outra margem mas ao longo da ribeira. Como que uns degraus de pedra esculpidos na parede.  Descalço seria fácil avançar por ali fora, mas um pé na pedra húmida e coberta de musgo com o sapatinho de sola rígida de carbono e, para mais, com aplicações metálicas levar-me-ia, em 2 segundos, a cair para a água. Resisti (não foi fácil) à tentação de arriscar passar com o telemóvel na mão e o video ligado.

Fui dar a volta, subindo um pouco e afastando-me da ribeira, a cujas margens regressei logo depois.
Azevinho, fetos, silvas, musgo, troncos cobertos de musgo, folhas, a água que flui. Flui também o tempo.



Ribeira da Sardeira, take 2:










A entrada, quero dizer, o caminho para a ribeira é por aqui, entre a parede de xisto e a Bétula. Na curva da estrada, o som da água que corre tumultuosa indica o caminho.


Não há que enganar (nem que perder), é só seguir o som.





terça-feira, 13 de novembro de 2018

O dia tem que começar a fluir de alguma maneira

Novembro 2018

Manhã de Novembro, 8 °C ao início da subida da serra. Friozinho nas primeiras curvas sombrias. Uma manhã húmida; os dias anteriores tempestuosos tinham saturado o solo e a atmosfera de água. Nas zonas onde o Sol batia o vapor de água elevava-se do chão e das folhas das árvores, formando pequenas nuvens. O frio que sabe bem. Não o frio de fazer formar o pingo na ponta do nariz. Esse é o frio que ruboresce as faces. Lembro-me bem de, há mil anos, na terra onde nasci, as mulheres embrulhadas em xailes e com o pingo na ponta do nariz. Narizes como deve ser; compridos e afilados. Sou muito sensível a narizes. Às vezes embirro com pessoas só por causa do nariz. Algumas nem conseguem formar o pingo na ponta. Tecnicamente, acho que o processo deve envolver a condensação do vapor de água das fossas nasais (mas fossas nasais como deve ser, em narizes que se vejam) sob a acção do frio exterior. Caso afile (o nariz), neste processo, forma-se a gota na ponta.

Quando cheguei à curva ribeira, quentinho das pedaladas, o Sol já lá tinha chegado. Rapidamente, ao Sol, a temperatura subiu para os 16 °C. Uma dia soalheiro ali na curva da ribeira. Sob as árvores, junto à ribeira, o friozinho instalava-se novamente.

O dia começara a fluir.



Hello !
Tinha deixado ribeira, voltado à estrada e encostado a bike para apanhar umas castanhas quando eles apareceram, pedalando nas calmas, sorridentes, prontos a meter conversa.
Hello! Eram o Nick e a Elaine.
Descontraídos, pouco agasalhados (ele com calções e T-shirt, ela muito bonita - a roupa não interessa), bicicletas com alforges, vinham do País Basco. Antes tinham atravessado os Pirinéus, e antes França, e antes o canal da mancha de ferry com as bikes. Eram Ingleses e vinham de bike desde Inglaterra ! Fomos por ali acima na conversa até que tive que voltar para trás. Eles seguiram para Sul. Vão cruzar o Alentejo até ao Algarve. Inglaterra-Algarve, tentando conhecer e pedalar por regiões montanhosas e, ali, onde estávamos era, disse o Nick corroborado por um sorriso da Elaine, one of the most beautiful areas we've ever seen in Portugal.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

O dia tem que começar de alguma maneira (updated)

por exemplo, verde.
O verde da clorofila que, naturalmente, é verde porque esse é o comprimento de onda da luz que a clorofila não absorve e que, consequentemente, é reflectido para a nossa retina.
Pelos vistos nem sempre foi assim. Houve e há organismos fotossíntéticos que absorvem o verde e, logo, reflectem outras cores e são púrpura. Parece que estes organismos foram dos primeiros a fazer a fotossíntese à superfície da Terra. E, já agora, note-se que a fotossíntese (quando vemos as folhas verdes podemos assumir que a fotossíntese está ocorrer) é o único processo relevante de armazenar a energia solar na Terra e que é a fonte de toda a nossa comida e da maioria das nossas reservas energéticas. Ali estão as plantinhas, aparentemente frágeis, verdes, belas e essenciais à nossa vida a armazenar a energia do Sol.





e azul






e, de novo, verde. Além das outras.





E de tudo o resto.



segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Isto é ...

Novembro 2018



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(estrada de Cacilhas para o Terreiro das Bruxas)

Por regra, não faço planos. Por regra, penso apenas: vou para aqueles lados. Depois, é para o lado que o vento me leva, ou de uma ideia que, subitamente, se atravessa na mente, de qualquer coisa que acontece como, por exemplo, umas nuvens que cobrem a serra de um lado, uns aromas que se atravessam no nariz e me fazem ir para os lados das encostas de carqueja, de um fome inesperada que me inspira a pedalar para os lados onde sei que encontrarei medronhos, do Sol que, espreitando entre as nuvens, me faz imaginar as copas dos castanheiros e me empurra, pedalada a pedalada, para os lados dos magníficos soutos a meia encosta, já imaginando-me a olhar a abóbada de folhas quase mortas de Outono reflectindo o Sol esquivo e.... por aí fora. As pedaladas são caóticas no sentido físico do termo em que o percurso é muito sensível a pequenos detalhes e às condições iniciais ... (pedalo sob o "efeito borboleta")

Desta vez sentia-me imbuído de uma missão. Tinha um plano inspirado por um comentário num post anterior (O baloiço). Iria fotografar "isto é Lousã". Pelo menos fotografar o número máximo de "instalações" numa única volta (e, ainda assim, obrigou-me a andar da frente para trás e de cima para baixo na serra).


(Talasnal)

Uma das aldeias do xisto, talvez a mais bem conhecida, devidamente encaixilhada.


Estava na meia encosta. Teria que subir novamente para os lados do Chiqueiro (outras das aldeias do xisto) e daí para os lados do Terreiro das Bruxas, atingindo o Miradouro do Chiqueiro.



Esta, além de servir de moldura, é uma instalação interactiva. Equanto estive por ali, apareceu um casal jovem com dois cães, um enorme e com ar feroz e outro do tamanho de um pardal, mal se lhe percebiam as patas, parecia uma centopeia a caminhar - ah, pois, esqueci-me de dizer que todas as instalações têm acesso por estrada asfaltada. Colocaram o grandalhão na perna horizontal do "L" e o pardalito em cima do "O". O gajo encostou-se ao braço vertical do "L" numa pose hollywoodesca e a menina disparou as fotografias (houve dois ou três ensaios porque os bichos não paravam quietos e saíam do sítio).



Ao sair dali já me ia a ver com o olhar na abóbada das copas dos castanheiros e dos carvalhos lá para os lados do Terreiro. Pedaladas em força rumo aos castanheiros e foi então que o acaso se atravessou no caminho. Parei à entrada do bosque, comi uma banana, fiz a ginástica do costume no friozinho do dia (puxar o blusão para cima, levar no mesmo movimento a baselayer e, com o polegar da outra mão, puxar a lycra dos calções na zona da barriga para baixo, tentando com os dedos restantes colocar os componentes anatómicos externos do sistema urinário numa posição minimamente confortável para a execução do processo de libertação do filtrado nos nefrónios do rim - tarefa que, abaixo dos 7 °C, é susceptível de contratempos, if you know what I mean). Bom, mas finalmente ali estava em pleno desempenho da função, vadiando o olhar por entre as árvores quando, mesmo à minha frente, reparo nisto



Ali. Não um belo par deles mas um single: um magnífico corno de veado. Fiquei surpreendido com as pontas tão afiadas. Deve ter pertencido a um animal jovem e caído durante o acasalamento (a brama terminou há poucas semanas).


Trouxe-o. Entalei a base no bolso traseiro do blusão com cuidado para não cair. Quase todo de fora do bolso, tombava para o lado direito, fazendo-me cócegas nas costas. Foi bom. Pelas cócegas e também porque enquanto roçava sabia que o trazia no bolso.

Já a caminho do Terreiro das Bruxas, a entrar no souto, fiz um videozinho. Como se pode ver, a estrada é boa e é muito fácil ir até lá de carro.
Às vezes, vou por ali fora a pedalar e atravessam-se-me músicas na memória; esta que serve de banda sonora (completamente desnecessária !) ao videozinho e que é, aliás, a banda sonora de um belo filme que vi há tempos (Intouchables).




Já na descida para a vila, está a "instalação" que mostrei na fotografia com que abri o post. À saída um banquinho "convida naturalmente".



Tinha pensado que poderia terminar o périplo "Isto é ..." na cadeira pendurada sobre a ribeira num tronco de árvore caído entre as margens. Esta sim, belíssima. Mas teria que subir de novo para de novo descer e já não tinha mais tempo. Até o ciclista extraordinário que passa horas a pedalar pelas serranias tem uma outra vida que implica horários e afazeres desinteressantes p´ra caraças, to say the least.



domingo, 28 de outubro de 2018

"O baloiço" do cimo da serra

O Baloiço da Serra da Lousã
(Outubro 2018)


Dantes eram as aldeias de xisto. Antes destas os poços da neve. Agora, o baloiço. O baloiço está a tornar-se no ex-libris da serra da Lousã.




Olhe fáxavor, como é que se vai para o baloiço? Ouço isto com frequência quando pedalo na EN236 ou em estradões por onde alguns artistas se metem de carro. Não respondo a estas perguntas de modo directo; "Olhe segue por ali e, depois, na segunda à esquerda, ...". Não, primeiro tento dar uma ideia tridimensional/orográfica da serra;"Neste momento sobe o lado Sul da serra e o baloiço fica nesta direcção (aponto com o braço). Ora, o baloiço fica no planalto e, portanto, terá que continuar a subir. Uma vez no planalto, apanhando a EN236 - e olhe, é fácil perceber porque, se reparar bem, os soutos de castanheiros e carvalhos marcam o fim da subida e, aliás, nesta altura do ano estão belíssimos. Mas voltando ao caminho, uma vez lá em cima, porque a orientação da EN236 é Oeste-Este, terá que ir atento ao cruzamento para o Trevim, para Norte, num local em que a estrada é ladeada por pinheiros grandes e altos e donde se avista o vale da ribeira de Alge, Uma vez aqui, se tiver tempo, páre o carro e meta-se por uma caminho a Sul que encontrará paisagens muito bonitas e, com alguma sorte, se for em silêncio, pode encontrar veados ...

Quando noto os olhos dos meus interlocutores a piscar, a boca num esgar de sorriso forçado e a repetir "obrigado, obrigado, obrigado" percebo que já exagerei e que me estão despachar e a coisa fica por ali. Em situações raras, sobretudo com estrangeiros que andam por ali a passear, fico para ali meia hora a falar sobre a serra. Eles perguntam, ficam curiosos e eu vou por ali fora em roda livre, descrevendo paisagens, pintando cenários do que podem encontrar, incutindo curiosidade para explorar isto e aquilo ... em suma, uma conversa impressionista.

Portanto, aqui fica o percurso (comentado e ilustrado) para o baloiço a partir da Lousã. Quando me perguntarem, aos mais despachados, indico o endereço da net.
Vila da Lousã, à saída, junto parque: Km zero.  Apanhar a "estrada da serra", a EN236, em direcção a Castanheira de Pêra, a vila que fica do outro lado da serra. Após 18Km atinge-se o planalto aos 900 m. Uma curva à esquerda marca o fim da subida:



Um pouco antes, durante a subida, e olhando para trás, pode ver-se o sítio do baloiço. Mas há que dar uma grande volta até lá chegar: a mancha amarela na base do Trevim (o cume da serra aos 1200 m de altitude) que se encontra coberto por nuvens.

Aos 22 km, antes de começar a descer para Castanheira de Pêra, deixar a EN236 e cortar à esquerda para o Trevim. O local está assinalado com placas. Não há nada que enganar.
Como é costume nas serranias da beira, há histórias e lendas que se contam sobre a serra. Quem nunca ouviu falar de lobisomens e fadas da floresta. Ali, naquele sítio, dizem que, de vez em quando, em dias de céu baixo, aparecem por ali dragões de Komodo. Crendices!. Lendas sem qualquer fundamento. Já por lá passei mil vezes e nunca vi nenhum. Bom, mas, portanto, quando se avistarem as placas, e caso não esteja nenhum dragão de Komodo a interromper a estrada (!!!), é virar à esquerda para o Trevim.


Ali:




A estrada para o Trevim está em mau estado mas é bonita. Em parte é ladeada por grandes abetos que


à vezes ficam esparsos e deixam ver o cume, o Trevim (o cone no horizonte, lá atrás)


Nalguns sítios o piso está muito mau e o melhor é não tirar os olhos da estrada. Para quem circula de carro, obviamente. A pé ou de bike pode olhar-se a floresta que começa a abrir sobre o imenso vale e, às vezes, há surpresas; o contorno das árvores sobre a luz do horizonte, um vulto (pássaro, veado ?) que passa, a brisa que sopra do vale e, se a imaginação tiver asas, quem sabe, talvez até uma fada da floresta ...



Aos 24 km os horizontes abrem. Avista-se o Trevim em frente e, a Sul (à esquerda), o vale da Beira até à serra do Caramulo.



O baloiço é ali em baixo à esquerda, em frente à última eólica que se avista daqui. À esquerda antes de começar a subida final para o Trevim. Já agora, tendo aqui chegado, vale a pena subir mais uns 3 Km e visitar os Poços da Neve.



Um videozinho feito em dia de vento com o dedo no baloiço (o som é o da ventania)




O baloiço. No baloiço a sensação é a de baloiçar sobre o vale 800 m mais em baixo, sobre o abismo.











Estava na sessão fotográfica e, de súbito, nuvens vindas de Sul e puxadas a vento (já tinha dado por elas porque as de Sul, ao contrário das de Norte, são imprevisíveis mas fiz de conta que não iria acontecer o que aconteceu) apareceram sobre o Trevim,


trazendo uma chuva dura e fria que batia na face com a força de pedras de granizo. Arrefecera bastante. Lá fiz a ginástica acrobática do costume para tentar vestir o impermeável sob aquela ventania e chuva. É quase tão extraordinária a facilidade com que se veste um impermeável em casa como a dificuldade sob temporal. Enfia-se a primeira manga e, depois, por tentativa e erro, tenta acertar-se na segunda que, sob a ventania, parece uma vela rasgada que ora se enrola ao pescoço ora rodopia em todas as direcções. Entretanto, vai-se levando com a invernia em cima. Mas, quando, depois de muitas tentativas e erros, se corre o fecho do impermeável é como se encontrássemos um abrigo numa cabana com a lareira acesa. Ali estamos sob a chuva e a ventania mas a sensação é de conforto. Entretanto, o baloiço baloiçava empurrado pelo vento. Era hora de pedalar dali para fora.

Coordenadas do baloiço tiradas do Google Earth:

40° 04' 37.40'' N
8° 11' 29.71'' W
elevação 1001 m

sábado, 20 de outubro de 2018

O musgo húmido e luminoso ou a fluorescência da clorofila

Outubro 2018
Serra da Lousã - vale da ribeira da Fórnea

Richard Feynman costumava contar que, um dia, alguém o provocou, dizendo que ao buscar explicações para os fenómenos naturais perdia a beleza e o encanto inerentes a esses fenómenos. Ao contrário, disse ele, há uma beleza e elegância na percepção e no conhecimento dos mecanismos que suportam fenómenos naturais. Também acho.

Após as primeiras chuvadas, na floresta para os lados da ribeira da Fórnea, havia inúmeras teias de aranha rentes ao chão sobre o musgo intensamente verde. O Sol andava escondido mas, de vez enquanto, projectava raios intensos por entre as grandes árvores, atingindo o chão e iluminando o musgo. Belíssimo.
A clorofila, nas folhas das árvores e no musgo, utiliza a energia da luz do sol para sintetizar moléculas que nos são muito úteis (por exemplo, oxigénio). Sob a luz do Sol, a clorofila excita-se momentaneamente e, ao regressar ao estado fundamental, além de passar a energia a outra molécula de clorofila, pode, quando a luz do Sol é muito intensa, também emitir fotões (luz). Isto é, a clorofila é fluorescente. As folhas verdes além de reflectirem a luz podem também iluminar-se! Belíssimo.







Um fiozinho de luz no musgo desenhava o contorno dos troncos das árvores.


As teias da aranha. Belíssimas. Mas como é que se formam as teias? Por exemplo, como é que se forma uma teia que atravessa um rio ou de um ramo para outro a vários metros de distância? Aprendi há pouco tempo qual é a estratégia usada pela aranha. A aranha tem que sintetizar uma proteína para fazer o fio (a seda) e, simultaneamente, lançá-lo à brisa, esperando que atinja um suporte. Feita a primeira ponte, pode então começar a tecer o que falta. A aranha precisa da brisa para lhe soprar a seda! Se a coisa corre mal a aranha, muitas vezes, recolhe o fio de seda e come-o - não pode desperdiçar a proteína. Belíssimo.



À saída, isto é, ao iniciar a subida, o céu estava enigmático. Prenúncio de chuva, de Sol ...?



Subi a serra pelos caminhos do vale da Fórnea. Esperava encontrar a ribeira e os riachos caudalosos  (as chuvas caíram nestes dias) mas apenas  um fiozinho de água, tímido e hesitante, dava uns ares de que alguma coisa por ali corria. Nas partes mais sombrias o chão molhado e pesado dificultava as pedaladas mas apenas isso. Hei-de vir ver os riachos furiosos, rasgando a floresta. Hei-de vir, um dia destes.



sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O dia tem que começar de alguma maneira

Outubro 2018
Serra da Lousã - Vale da Ribeira de S. João


como, por exemplo, a pedalar nestas mist covered mountains that are a home for me (many  thanks, Maria).



Bem que podia, e vinha mesmo a calhar, colocar aqui o Mark Knopfler a fazer gemer e a rasgar a guitarra mas, há pouco, durante um intervalo, passaram-me pelos ouvidos estas músicas. Indeciso sobre qual delas aqui colocar, resolvi, num rasgo de extraordinário discernimento, pôr as duas.


Tragédia e tristeza à parte (a música é alusiva ao golpe de estado que derrubou Salvador Allende no Chile em 1973 e implantou a ditadura) uma do mestre Argentino.

Chove em Santiago - Astor Piazzola (violino de Antonio Agri)



A outra é dos anos em que descobri que havia música para além do António Calvário e da Madalena Iglésias.
Genesis - Firth of Fifth (e, ao 5min 45 s, entra, sem darmos conta, a guitarra se Steve Hackett) do album Selling England by the Pound


A primeira nada tem a ver com o que se passa no Brasil, qué isso cara,  e a segunda nada com o Brexit, obviously!