sexta-feira, 4 de maio de 2018

As árvores morrem de pé? Os duendes das fontes usam calções?

Serra da Lousã
(Abril 2018)

Que morrem, é certo. De pé, talvez. Sentadas ou deitadas não dava jeito nenhum. Pelo menos aguentam-se de pé, moribundas, alimentando outras vidas (insectos ...), até que caem. Algumas.



Outras não. Outras mantêm-se de pé, morrendo devagarinho, nunca caindo.
Em qualquer dos casos, as árvores, tal como nós, são ecosistemas complexos em que habitam sinergisticamente múltiplas formas de vida. No nosso caso, só no intestino colaboramos com bactérias que, em número, batem aos pontos o número de todas as células do nosso organismo propriamente dito (rins, fígado, pele, cérebro, ossos, músculos ... tudo). E a interacção com elas é essencial à nossa saúde. Doenças como, por exemplo, o autismo e a Parkinson, para não falar das cardiovasculares (em que experimentalmente ja se fazem transplante fecais - estamos a falar das bactérias, não das fezes), parecem estar relacionadas com alteração do microbiota intestinal. Há quem se refira ao intestino com o "second brain", tal a relação íntima entre as bactérias do intestino e o cérebro. Pois, custa a crer mas há evidências cientificas para tal.

Estava a falar das árvores.
As grandes coníferas da floresta caem porque têm pés de galinha. Tal com as grandes Sequóias que vi nos EUA, as raízes destas árvores grandes, não penetram fundo no solo, antes se espalham à superfície em pé de galinha, radicalmente a partir do tronco. As raízes são superficiais, como é claro aqui:



Ia por ali fora, pelo estradão que cruza a floresta e:



O tronco com as marcas da morte, habitado por múltiplos outros seres vivos


Bike às costas, transpus a magnífica árvore e segui na expectativa de, na curva do caminho, parar na fonte fria. Que local este, ali no meio da floresta, na berma do estradão que a atravessa. As pedras cobertas de musgo e flores, o espelho da água, o som envolvente da água que corre, as sombras e os ramos dos castanheiros e carvalhos que tecem uma paisagem fractal ...

A Fonte Fria põe-me à nora, a ver o mundo up side down




Tentando encontrar o Norte na minha cabeça,
Primeiro, num relance, percebi uma sombra, um sobressalto, depois, nitidamente, uma mão, um vulto chifrudo ... era o duende da fonte fria. De novo.




Já antes tinha tido um encontro imediato do terceiro grau com o Duende da fonte fria. Percebi a sombra, uma mão grande apoiada em sítio nenhum, um vulto que se mostra num segundo, deixando a dúvida se, de facto, vimos alguma coisa. Bem, mas isto é próprio dos duendes.
Mas ... mas ... calções? O Duende usa calções?



E calções de licra? O Duende usa calções de licra?


4 comentários:

  1. Xiii, por momentos até me assustei com a foto do chifrudo. :)) Só depois percebi.

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    1. O que mais me surpreendeu foi o duende, afinal, ser um MAMIL (middle age man in lycra), tal como eu !
      Mas, mudando de assunto: deixei um pedido lá no teu blog para postares umas fotos da GR22 Aldeias Históricas. Fantástico. Deves ter feito muita serra do Açôr, além da Estrela.

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    2. Olá João, deixei-te uma resposta lá no meu canto, vai vendo as fotos, mas tirámos tantas, é difícil colocar muitas :)
      Mas sim, andei no Aço, na Malcata, na Gardunha e na Estrela. ADorei...

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