quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

água

Dei-me conta que tenho muitas fotografias de água e de riachos. A água exerce um fascínio na maioria das pessoas. Estou até convencido que esta é a explicação mais plausível para o facto de os autarcas deste país pespegarem com rotundas em qualquer caminho de cabras onde passa um carro quase todas as manhã e, no centro de cada uma, um repuxo de água.

A água é essencial à vida. Há água em Marte? Então é provável que lá haja formas de vida! Tão simples como isto. E, como a informação vem da NASA, não há que duvidar. Mas, da água à célula é mais longe que do vinho à garrafa que o contém.

Nós somos 70 % água. Basta grelhar carne ou um polvo para perceber isso. Mas a água não é um parceiro amorfo da vida. Há um segredo na água que a torna essencial à vida.  Esse segredo conta-se de modo simples em 4 palavras: permite a auto-organização molecular. Por exemplo, mandam-se umas moléculas para dentro de água e elas organizam-me em estruturas complexas e belas, como membranas e liposomas. É um fenómeno parecido como a separação entre a água e o azeite; separam-se como que por magia. É também, em parte, a razão pela qual se formam gotas de chuva nas folhas das plantas. É um fenómeno tão familiar que não se pensa nisso mas experimente-se formar umas gotas de álcool numa folha de uma planta. Não se consegue.
Quem é que nunca acordou às 3 da manhã a pensar porque é que se formam gotas de chuva nas folhas das plantas!
Mas as coisas não se auto-organizam espontaneamente! Pois não! A segunda lei da termodinâmica não deixa. Esse é o segredo da água, no seu seio (uma palavra bem adequada) organiza e dá origem a estruturas complexas mas sem violar as leis do Universo.

Serra da Lousã
(Fevereiro 2014)
O ano passado em Fevereiro foi mês de tempestades, de água a correr por todo o lado. Pedalar pela serra após (durante é uma história que não se consegue registar em fotografias) uma tempestade é uma experiência a 120% para os sentidos, todos.


cascatas imprevisíveis




Esta foi disparada ainda durante a tempestade


Mais fotografias após, que mostram a água a encontrar caminhos na floresta,


que encontram outros



seguindo juntos





Dois anos atrás, em Fevereiro de 2013, lembro-me que houve também uma grande tempestade na serra. Fui para lá pedalar já na fase da bonança, em que a luz já fazia o dia claro e mostrava os destroços do que tinha acontecido





Aos mil e poucos m de altitude a água não corria, estava gelada.


Ainda em Fevereiro de 2013, fiz uma travessia Serra do Açôr-Serra da Lousã a solo. Atravessei as cumeadas num belo dia com alguma água à mistura e hoje, ao ver as fotografias (acho que já postei algumas antes mas que interessa isso), quando recuperava essa memória, atravessou-se-me na cabeça No one knows what it´s like ... a voz do Roger Daltrey com as guitarradas do Pete Townshend por trás e mais os outros malucos dos The Who


O chão húmido e o ar límpido


aaaaah os horizontes ...


A água no planalto central da serra da Estrela no estado sólido (no horizonte ao centro, sob as nuvens)


e, finalmente, o espelho de água da barragem de Sta. Luzia


Ah, há outra parte do segredo que está relacionada com a sua estrutura em que as moléculas da água no estado líquido executam um "ballet" tridimensional, trocando continuamente de parceiros ao mesmo tempo que retêm a estrutura. E parece tudo tão calmo lá em baixo, na barragem !




4 comentários:

  1. O fascínio da água. Fantásticas fotos :)

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  2. Obrigado. Após uma tempestade formam-se riachos pelas encostas da serra. Agora, além da imagem Imagina o som da água a correr. Vai-se por ali a pedalar e ouve-se o cantar da água pelos vales e encostas.

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  3. O fim do texto leva-me para o livro que andei a ler sobre as Lições da Física, onde, às tantas, se refere justamente isso: que visto de longe pode parecer que nada se passa mas que, visto de perto, há uma miríade de acontecimentos. Na água, no espaço, na nossa pele.

    No outro dia já era para ter dito que estes seus lugares são maravilhosos. Não conheço bem, apenas andei de carro por essas bandas mas tenho muita vontade de ir conhecer de mais perto.

    E as suas palavras não trazem apenas ensinamentos, trazem vontade de pensar, de ver mais dentro das coisas.

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  4. Às vezes estou para ali a escrever e a achar que se alguém aparecer no blog só se vai aborrecer e não vai ligar nada ao assunto. E penso: por que raio estou para aqui a escrever isto? Até porque o blog era apenas para registar a memória das pedaladas. Por isso, fico muito contente com as suas palavras. Obrigado.

    A Serra do Açôr (últimas fotografias) é agreste e rude mas muito autêntica (se se pode dizer isto). A Primavera é uma boa altura para dar por lá uns passeios.

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