sexta-feira, 3 de março de 2017

As pedras, os telhados e a geometria da luz

Fevereiro 2017

A geometria da luz? É apenas um jogo, juntar palavras que abrem janelas para uma ideia interessante (pois, é que há ideias que são chatas) mas que racionalmente não entendo. Geometria da luz. Há apenas uma estética (para dizer uma palavra com mil significados) na mistura das palavras. O sentido global e preciso não interessa por aí além. Quando penso nisso, sem entender, há uma brisa marítima que me varre a cabeça. Fica a sensação de bem-estar, de perscrutar  alguma coisa que não entendo misturada com a sensação de non-sense mas que se lixe.
Para dar alguma linha coerente a isto diria a geometria da luz ... ou as vistas do cimo da aldeia de xisto do Candal na Serra da Lousã.

Já agora, e sem querer deixar-me ir em roda livre (um controlo retro-inibidor que tenho necessariamente que fazer quase constantemente na minha vida em sociedade) atrás de ideias cujo fim do caminho é incerto, a luz, a radiação electromagnética (e aqui a Física pode entrar com meia dúzia de equações) é a realidade, enquanto que a noção de geometria é apenas uma construção mental. Um triângulo é uma ideia na nossa cabeça porque a realidade são umas linhas que acidentalmente se ligam ... ora deixa cá ver .... formando um triângulo. QED (quod erat demonstrandum).
No fundo, o que interessa é o prazer. O nosso cérebro está construído de modo a procurar o prazer. Desde juntar palavras que nos entusiasmam até ao prazer de descobrir (aquele ditado do prazer mata o gato é detestável), o olhar e achar bonito e por aí fora, dos menos aos mais palpáveis prazeres (e lá vai um smile que vem mesmo a calhar :)

Recomeçando, do cimo da aldeia do Candal vêem-se os montes e a luz baça do Sol baço nos dias baços



e vê-se, ao olhar para baixo, os reflexos nas pedras e nos telhados. Como é normal o nosso cérebro preenche o que falta: a cor, o ambiente, a brisa ... O olhar a preto e branco é apenas para perceber os contrastes que são o cenário das cores.



A realidade sob a luz da madrugada


e sob a luz do meio da manhã


Depois olha-se de novo para o longe e a luz não é comum, não é ordinária. Há uma cortina qualquer que torna as coisas novas, interessantes.


Ha sempre outras maneiras de ver de novo. 










Uns dias depois passei lá em baixo, ao fundo da aldeia.
Com o tempo ameno as acácias tinham florido e a serra era uma festa


Ao fundo da aldeia, a piscina natural do Candal. Para mim, a geometria (à falta de melhor palavra) das pedras e dos troncos das árvores e das folhas e a mistura de tudo isto deixa-me fascinado.


Mas chegar aqui a pedalar leva-nos a um patamar que seria outro caso chegássemos confortavelmente de carro. De bicicleta estamos lá, enquanto que de carro é como se viajássemos num cenário.


Filmei o local com o telemóvel. O som da água que corre é belo e intenso e o vídeo não precisa de banda sonora mas há uns dias atrás, durante uma viagem pela net, atravessou-se-me no caminho um album novo de um músico Grego cuja música, há anos atrás, nunca confessaria que ouvia. Pronto lá vai e que se lixe: Vangelis Papathanassiou. O album chama-se Rosetta


e pode servir de banda sonora do post e da água que corre no vídeo ali em baixo e que provavelmente continua a correr na aldeia do Candal.


2 comentários:

  1. Nota-se bem a paixão que tens por esses lugares e tens razão para isso :)

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    1. Olá GM,
      passo mil vezes nos mesmos sítios e surpreendo-me sempre com o que encontro novo. Quase tudo se renova, incluindo nós próprios.

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