domingo, 19 de março de 2017

The great wilderness ou a jovem ribeira de S. João

Serra da Lousã

Às vezes basta parar. Vai-se por ali fora a pedalar, ouve-se um riacho a cantar e basta parar. Ver de onde vem, se é possível segui-lo, o que nos diz o som sobre a natureza do riacho, se é calmo, ou selvagem, ou se vem de longe ... Depois, seguindo-o, o entusiasmo cresce à medida da beleza à volta e é difícil não ir mais e mais e mais.

Onde muitas vezes passo, numa ponte sobre a ribeira de S. João, decidi parar e ir dar uma vista de olhos à ribeira. Meti-me por um caminho que acabava logo ali, escondi a bike nuns arbustos, atirei com uns pedregulhos para o meio da ribeira no local mais estreito que encontrei, de modo a ter um ponto de apoio para saltar, passei para o outro lado e comecei a subir, seguindo-a na direcção da nascente.



Os sapatos de encaixe, sapatinho de sola rígida com aplicações de metal, são traiçoeiros para caminhar nas pedras mas as minhas competências a saltar pedras foram solidamente cimentadas durante a infância e adolescência nos pedregulhos da Estrela. Bem, não evitaram derrapanços, mas impediram que molhasse os pezinhos e o resto do corpinho. Uns percalços aqui e ali em que me agarrei a silvas para manter o equilíbrio (em coreografias que grupos de dança contemporânea mais radicais não desdenhariam ensaiar) mas, tirando isso (e tirando os espinhos das mãos), nada de especial.

Às tantas, numa curva, rolling stones, denunciando que nas invernias a ribeira corre furiosamente.



Na margem do lado esquerdo havia um "caminho" de pedras, um convite para continuar. Cheguei a um sítio muito bonito; a corrente mais tranquila, pedras nuas e outras cobertas e musgo, troncos partidos e caídos, desalinhados, o chão coberto ainda com as folhas outonais caídas dos castanheiros.





e ... um exuberante arbusto de azevinho. Ali à direita.




Fiquei por ali. Fiz um vídeo.


Às vezes basta parar e ir espreitar.






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