sexta-feira, 10 de agosto de 2018

... e foi segundo dia de pedaladas na Estrela

Serra da Estrela
(Finais de Julho de  2018)


Acendem-se-me, literalmente, acendem-se-me uns neurónios que rapidamente ficam malucos a disparar correntes eléctricas fraquinhas, muito fraquinhas, zzzzzzzzzzzzzzz andam por ali às voltas em rodopios caóticos e, às tantas, talvez uns milissegundos depois, as paisagens, a luz, os aromas úrzicos e o arrepio de pele vêm à tona, tornam-se memórias no meu cérebro. E as memórias são realidade, fazem parte do presente quando as recuperamos.

A memória foi desengatilhada pela visão do mar de neblina



um mar aos 1600 m de altitude com margens de granito e urze.


Ondas! Acho que são ondas de neblina.



As pedaladas tinham começado cedo. Ir à montanha. Um plano simples. Pedalar montanha acima. Depois, logo se veria para onde o vento me sopraria.


A lagoa do Covão do Curral


Nesta lagoa, que se anicha numa depressão sobranceira ao magnífico vale onde, lá no fundo, corre jovem, muito jovem, o rio Alva, joguei futebol. Há muitos anos. Era um dia de Inverno e a superfície da lagoa estava gelada. Portanto, como se compreende, um sítio ideal para uns adolescentes na posse das suas elevadas, elevadíssimas, faculdades cognitivas jogarem futebol.

Hoje, pela tarde, o vento sobre a superfície criava a ilusão de evaporação - isto dito de um modo técnico-desapaixonado. Poderia ter dito que a superfície espalhava um pedaço fractal de céu.


E foi o final do segundo dia. Dois dias de pedaladas na montanha. Na montanha sente-se o ar fino, fluido e agudo que não se sente nas serranias a menor altitude por onde costumo pedalar.

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