(Barragem de Sta. Luzia, Agosto 2016)
Não é só a cor ou o ondular (aquela dinâmica sensual das ondas ...).
(barragem de Sta. Luzia e ao fundo, na linha do horizonte, a Torre, serra da Estrela)
É também a substância, o estado físico, a fluidez.
(a moldura aqui é o picoto da Cebola e a serra da Estrela, a imponente cordilheira no centro de Portugal)
Podemos penetrar a água, sentir a resistência suave e o arrepio na pele (... isto está a ficar um pouco NSFW.) Podemos encher as mãos de água que, depois, corre para o chão. O estado líquido é um fascínio mas é tão vulgar que não damos conta da singularidade da água. A água é uma substância extraordinária. Há a água da chuva, a de Verão e a de Inverno, e a água do mar e dos rios e dos lagos e dos fios de água que corre na floresta, e das fontes ... e há as gotas de água nas folhas das plantas e nos vidros das janelas ... e o som da água. A água ondula e a água corre.
E, já agora, the river, pelo Boss
E há o que está debaixo da água. A água às vezes é uma cortina que se abre quando se passa, quer dize se evapora ou corre para outro lado.
Às tantas há uma raiz biológica para o fascínio, a beleza, a atracção que a água exerce sobre nós. Há uma teoria que postula que o
crescimento e complexidade do cérebro (que nos separou de outros primatas não
humanos vivendo em florestas), se deveu
à deslocação dos nossos antepassados para orlas marítimas (deixando para trás os nossos primos símios nas florestas a saltar de ramo em ramo) com a consequente dieta rica em peixe (e, logo em ácidos
gordos polinsaturados omega 3, críticos à estrutura e funcionamento do
cérebro). O cérebro é, curiosamente, o órgão "mais gordo" do nosso organismo.
Desde o início da aventura da nossa espécie que, pelos vistos, gostamos de estar sentados na doca a ver os barcos passar
Desde o início da aventura da nossa espécie que, pelos vistos, gostamos de estar sentados na doca a ver os barcos passar
(Otis Redding, (sitting on) The dock of the bay)
Pronto, está bem, já se sabe que sem água não conseguimos sobreviver (basta ver que a NASA busca água noutros locais no Universo fora da Terra como sinal de vida) e, também por isso, a maior parte da população mundial vive perto de água (oceanos, mares, rios, lagos ,…). Mas, …. e a beleza. Pode ser apenas um mecanismo de “recompensa” no cérebro proporcionado pelo bem estar de (depois de termos evoluído junto à água) nos encontrarmos junto à água?
(O Adamastor do Açôr - picoto da Cebola )
Para desconversar sobre a beleza e o fascínio acho que há ainda um elemento mais
subjectivo, de natureza mais “plástica”: a simetria das linhas da água. E a simetria é uma das condições para a existência de uma beleza objectiva (ao contrário da tese de
que a beleza está nos olhos de quem vê). Na face das pessoas é óbvio a ligação entre a simetria e a beleza, para citar o exemplo mais comum. As linhas rectas da superfície da água (rios, lagos e mares) contrastam com a geometria fractal óbvia, as curvas, a aparente irregularidade da paisagem à volta dos rios, lagos e mares. Pronto fica teoria. Ficava para aqui a escrever mais umas páginas sobre isto quando o que queria ,quando iniciei este post, era mostrar umas fotografias.
(ao centro, na linha do horizonte, a Torre a 2000m de altitude)
Para acabar, um “slow”: many
rivers to cross de Jimmy Cliff (o mesmo do anúncio fantástico do nescafé: a falésia, ao nascer do Sol, ela chega de carocha, as luzes apagam-se, há um suspiro e, pouco depois, com a caneca de café entre as mãos e I can see clearly now, the rain is gone. Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=sWnTWNDPTJo)
Daqueles slows de bailes de garagem. A pele ao rubro, a luz
ténue, o coração aos saltos, o suor (a água que corre?), o aproximar lento dos corpos, quentes, o tocar, o
sentir a respiração próxima, ao ouvido, a cabeça que cai e as mãos que
percorriam montes e vales, explorando, atrevendo-se … quantos rios para
atravessar!
Olá João,
ResponderEliminarBem, isto não chegou a ficar NSFW mas andou lá perto...
Como também falou da simetria das linhas da água, dos nossos primos símios, da beleza, etc. e tal, a coisa compôs-se.
Mas eu quero é falar do Boss: What a great, great song, talvez a melhor que ele escreveu.
E o som daquela harmónica, e aquele ai-ai-ai, caraças.
Eu tive esse álbum e fartei-me de o ouvir, juro!
:)Maria
Se puder, espreite As Pedaladas que não deu na Serra (07.Fev.16).
Ontem deixei lá a minha "pegada" e gostava que lesse.
Hoje de manhã pus-me a ouver alguns vídeos do The River e dei por mim de lágrimas nos olhos (por eles, por mim, sei lá...)
ResponderEliminarJá não me lembrava de como é bom chorar a ouvir uma música.
Depois o youtube sugeriu-me o Everybody Hurts dos R.E.M. e fiquei a ouver.
But did wrong, because I began crying like a river.
Sorry, vou ali buscar um Kleenex :)
Maria (in tears)
E aqui ficaria muito bem o Cry me a river pela Diana Krall :)
ResponderEliminarBem, mas não são tears for fears !
EliminarEsse seu amigo, o Google, tem muito bom gosto.
João
Of course not!
EliminarI don't want to rule the world ;)
Maria
No meu comentário anterior queria dizer Youtube e não Google.
EliminarJoão