quinta-feira, 22 de setembro de 2016

The storm - the rest of the best

Serra do Açôr
(Agosto 2016)

Estivesse aqui um dos irredutíveis Gauleses e teria a prova de que é possível o céu cair em cima da cabeça. Lá atrás o céu desaba, imensas cortinas de água tapam a luz no horizonte, por debaixo das nuvens.



Mas, presumo que enquanto o Ordenalfabétix se encolheria nas saias da Iélosubmarine, o Assurancetourix puxaria da lira e daria largas ao seu talento, tomando os raios e os trovões como suporte sinfónico de fundo.



E até os calejados ouvidos de Thor, deus dos trovões, seriam sensíveis à estridência insuportável da voz do bardo. O céu abrir-se-ia para Oeste mas


momentaneamente, apenas momentaneamente, o tempo suficiente para suspeitar que afinal a tempestade não passaria ao largo, lá para Sul. O tempo suficiente para parar, encostar a bike, sentir o sangue a correr mais devagar e o ar a encher os pulmões, olhar à volta, ao longe, a luz nas pedras, a luz inexplicável e começar a sentir uma picada nos braços e nas pernas - as gotas de chuva que começariam a cair, arremessadas com força das nuvens. O céu fechar-se-ia a Norte e a Oeste. E esse seria o momento de sentir um friozinho pela coluna acima, de uma pressa em sair dali e chegar a casa, de pedalar à bruta, de sentir um instinto primitivo de sobrevivência até vir devagar ao de cima uma impressão oposta; caem raios e ribombam trovões mas seria tudo tão belo. E, às tantas, ir-se-ia por ali a pedalar tranquilamente, de peito cheio do ar húmido, em estado de deslumbramento e a sorver as gotas de chuva salgadas que escorreriam pela cara e lavariam o suor.


Sobreviveria?




(isto é o que dá ter que guardar fotografias num outro suporte porque tenho o disco cheio. Dei com estas que "sobraram" de um post que fiz sobre a tempestade no Açor:






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