segunda-feira, 16 de novembro de 2015

As pedaladas que falhei

Les Diablerets, Alpes Suíços, Abril 2013
(Gordon Research Conference)


Andando por ali em trabalho tentava a todo o custo inventar um plano para arranjar uma bike. Os sapatos, blusão, capacete etc. que se lixasse. Logo improvisaria um equipamento. Eu queria era pedalar por ali acima. Já tinha feito o mesmo noutros sítios. O primeiro post deste blog ao  Quilómetro Zero na Patagónia Chilena foi o relato de um desses "desenfiamentos".
O plano da bike gorou-se.

Na fim-de-semana seguinte chegaria ali o Tour de Romandie na etapa do Col de la Croix. A etapa rainha desse ano. Descida do col a 1770 m até Diablerets a 1100m.  Rui Costa ficaria em terceiro lugar neste Tour (Tiago Machado em 17º).

Não tendo conseguido arranjar a bike, fiz-me ao caminho e subi a pé desde Diablerets pela montanha do lado nascente acima. Logo ao início previa-se um bom aquecimento, 11% de inclinação durante 6.5 Km. O facto de haver sinalização específica para bikes arreliava-me. Imaginava-me por ali acima a arfar e a levar com o vento nas ventas. País civilizado este, sinalização para bicicletas e tal.




Não havia nada que enganar. Pela esquerda ou pela direita?


na dúvida, sobe-se


uma estratégia perspicaz é optar pela estrada aberta 


Ora, deixa cá ver ... hammm... se estivesse na bike ... pela esquerda.


As horas passavam e eu estava cada vez mais acima. Vou só até aquela curva e depois, só até à outra, e só mais esta recta para ver o vale que se abre e, e, e, e ...


Depois da bela da subida de várias horas a pé com sapatinhos de caminhar em alcatifa,


tomei consciência de que iria levar um par de horas a fazer o caminho inverso. E sem bike teria sido esse o desfecho não fora aparecer por ali um limpa-neves, eu ter pedido boleia, o condutor ter olhado para mim com cara de "mas donde é que saiu este gajo", ter travado aquela máquina num grande estrondo e, a rir-se, ter-me indicado o lugar ao lado do dele.
E ali vou eu montanha abaixo num limpa-neves.


Foi por ele que soube que iria ali passar o Tour da Romandie e era por isso que havia por ali umas equipas de filmagens


Limpámos uma ou duas curvas e em pouco tempo estava de novo em Diablerets



Que grande volta de bike poderia ter sido.
Já no quarto






soube que o Mário Torres, um colega das Astúrias, tinha encontrado uma pequena loja que alugava bikes. O Mário foi por ali acima na bike por uma outra estrada. Que pena não termos ido os dois, disse-me mais tarde quando nos encontrámos. A pena é minha Mário.









2 comentários:

  1. Fantástico. Só mesmo pena a falta da bike :)

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  2. Ainda hoje me arrelio por não ter sido capaz de arranjar a bike. A sinalização na estrada e nos trilhos (soberbos, de cortar a respiração) específica para caminheiros e ciclistas que por ali há é uma coisa extraordinária, não achas?

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