sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Céu de chumbo (mas isso foi no princípio)

Serra da Lousã
(Janeiro 2016)

Dizia-se que o céu era de chumbo. Na serra (da Estrela), nos dias frios em que o céu ficava branco, um branco especial, denso e com um cinzento em fundo, era o céu de chumbo. Era o céu da neve. Era assim há muitos anos atrás. Acontecia o que os irredutíveis gauleses (Assurancetourix, Ordafabeltix, Panomarix, o Ideiafix mais o seu dono gordo e o companheiro que todos conhecem - eh lá, tenho os nomes na memória) mais temiam: que o céu lhes caísse em cima da cabeça.

Hoje, aqui na Lousã, estava um céu que me recordou o céu de chumbo. Sabia que não iria nevar. Nem sequer estava frio para isso, os 7 graus C não são o friozinho que faz quando neva. São um friozinho para se andar agasalhado a saber bem.

Sob este céu, a floresta para os lados do terreiro das Bruxas estava pálida.


Perscrutava a a floresta na expectativa de perceber algum vulto fugidio, entre as árvores, como já outras vezes aconteceu. Este é um dos locais onde tenho avistado veados. Vê-los por entre as árvores, em corrida ou, em casos mais raros, caminhando, é uma bela de uma sensação, to say the least.


Mas desta vez não tive sorte. Talvez estivesse a acontecer o contrário; eu a ser observado por eles. Não tenho dúvidas de que tal acontece com frequência. E não é através de algum misterioso sexto sentido (que, como toda a gente sabe, só as mulheres o possuem) mas de detalhes; os cascos marcados na lama do caminho - e sei se passaram há muito ou pouco tempo porque quando novo divertia-me a seguir rastos - um aroma orgânico intenso que passa, um leve restolhar ali, um som de cascos a bater no chão ... E, sobretudo, porque já os apanhei em flagrante; vou por ali a pedalar distraído e, de súbito, dou olhos nos olhos com olhos que me fitam por entre os arbustos.

As cores da floresta lembravam as das películas antigas. O céu quase a desabar em cima da cabeça.


Mas não iria nevar. Como aconteceu há 6 anos, em Fevereiro de 2010, quando, num dia de neve, fui estrear em grande a primeira Merida, pedalando até ao planalto da serra da Lousã




o nevoeiro adensava-se aos 1000 m de altitude


Uma bela bike esta. Mas isto foi há 6 anos. Caraças!


Hoje, sem neve, à medida que subia a serra o céu de chumbo transformava-se num belo céu de Inverno; cinzentos e brancos a tapar uns farrapos de azul pálido, com umas pinceladas de amarelo desmaiado e laranja que nem o chegava a ser. Parecia assim uma aguarela de Turner.
Quando cheguei ao planalto, aos 1000 m, o horizonte para Sul era este


closer


para Norte era este. A serra do Buçaco à esquerda (em forma de bossa) e a do Caramulo no horizonte, por detrás da casota


Na descida, metendo-me novamente pela floresta na zona do terreiro das bruxas, encostei a bike


para OUVER os riachos que por ali correm.


Pode, para muitos, a água, os ramos e as folhas desalinhadas, o musgo e as pedras, e os fetos e os aromas misturados com a humidade ... serem apenas uma imagem bonita, uma fotografia bonita. Para mim, é tudo muito familiar, é como se fosse a minha casa.

Fiz um vídeo do riacho para se ouvir a música da água a correr. Não sei se funciona. Cá vai:

Diz-me a Uva (obrigado Uva) que o vídeo não funciona. É o formato do vídeo? Isto parece simples, adicionar vídeos. Tão simples como adicionar fotografias. Ou é o peso? São 14 MB. Alguém tem sugestões? Obrigado de antemão.

Coloquei o vídeo no Google Drive em (ouvir com som alto):

https://drive.google.com/file/d/0Bw1VftPX6jQNbmhEU1NQVVRjWEk/view?usp=sharing







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