quarta-feira, 27 de abril de 2016

Abril no Açôr - barragem Sta. Luzia

Abril 2016
(Serra da Açôr - barragem de Sta. Luzia)

De volta. É essa a sensação nítida, limpa. Tantas pedaladas que por aqui já dei. De volta. E, como de costume, nada está como dantes. Desta vez a barragem está cheia, inundou pinhais em volta e caminhos que fiz noVerão desapareceram.

Hoje era este o caminho para lado nenhum. A road to nowhere, como encontrei já no Alentejo.


Mas as estradas para lado nenhum têm sempre o sentido oposto. São infinitas.


Tinha passado cá em cima mas não era claro se conseguiria contornar a barragem pelos caminhos. Um manto denso de nuvens cobria o planalto da Estrela.
O selim da bike lembra um dos falcões que por ali sobrevoam as matas, olhando para baixo. Um belo desenho o perfil do selim. Tenho cá para mim que o desenho não tem a ver com ergonomias e protecções prostáticas (tal como é publicitado) mas foi antes inspirado nas pombas de Picasso.


Porque é que está ali o pneu, rude e tosco? Para mim há ali uma força telúrica, uma integração na paisagem, percebo bem o pneu a rolar no chão dos caminhos lá em baixo. A agarrar-me ao chão mas, ao mesmo tempo, a impelir-me para a frente e para cima. Talvez só quem ande de bike pelos caminhos da serra perceba isto.


Raramente encontro alguém quando por aqui ando. 


No dia anterior tinha tentado um outro caminho para contornar a barragem mas a água tinha também tomado conta dele. Fiz um pequeno vídeo onde, além do chilreio ambiente, se ouve a força dos pneus no chão. Parei num local mais inclinado. Com o telemóvel numa mão a tentar fazer enquadramentos  torna-se mais difícil levar a bike por ali abaixo.



Mas esta última parte dá uma ideia mais aproximada do que é andar em cima da bike.










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