segunda-feira, 3 de outubro de 2016

a realidade em construção

Setembro 2016


Vemos com o cérebro, usando como cenário representações e padrões quer resultaram da nossa experiência anterior. Como que construímos padrões novos em cima de memórias. Por vezes até olhamos e vemos apenas os padrões que já temos inscritos no cérebro, não o que se nos depara. A não ser que percebamos que há ali alguma coisa estranha - e aqui a geometria é dos factores críticos. Uma perspectiva que colida com os padrões que já possuímos é detectada facilmente. Por isso, nem sabemos muito bem se o que vemos se sobrepõe ao que os outros vêem. Há quem argumente que o cérebro se engana a si próprio mas se é o cérebro que constrói a representação não é um engano. É o que é. É a realidade. Estatisticamente estamos (nós todos) de acordo nos objectos/paisagens vulgares à nossa volta mas apenas estatisticamente, acho eu. Cada um de nós (porque cada cérebro é único) vê de uma maneira única.



Um acontecimento único: o por-do-Sol no cume do Monte Fuji no Japão. A luz do céu foi artificialmente filtrada para evidenciar a que inunda as nuvens que cobrem o vale no sopé do monte.


Ou

o por-do-Sol na vale da Ribeira de S. João na Serra da Lousã.




Noite de lua cheia sobre a floresta, percebendo-se, ainda que ténues, algumas estrelas (provavelmente a constelação da Cassiopeia).


Ou

o Sol reflectido nas águas serenas do rio Ceira



depois de se ter levantado sobre a serra da Lousã, ao fundo, no horizonte.



E, já agora, sempre que por aqui pedalo, ou junto a rios que correm escondidos por entre filas de árvores, começo a perceber sons e palavras na minha memória lá ao longe, distantes, quase imperceptíveis. Uns acordes de guitarra ... takes you down ... to her place near the river ... she feeds you tea and oranges ... crazy ... you want to be there ... Depois, cada vez mais próximos, límpidos, chegam e inundam-me. Quase que me afogo.

Estes:


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