domingo, 23 de outubro de 2016

O planeta Terra é azul, a cena é essa, mas Cracóvia tem cores de Outono (e Copérnico)

Outubro 2016
(Cracóvia)




Visto daqui o planeta Terra é azul e nada há que eu possa fazer




as cores, amarelos, surgem a mais baixa altitude



os castanhos, laranjas e por aí fora, surgem rente ao chão



Bonita, a cidade de Cracóvia. O metro de superfície passa do lado de lá do jardim. As pessoas caminham à chuva, tranquilamente. No meio do jardim, uma espécie de tenda gigante, envidraçada e aquecida, cheia de gente a conversar e a bebericar. Eu saboreei uma bela de uma cerveja. Quatro graus lá fora e a cerveja fria que soube tão bem.


Ok, mas vamos lá que se faz tarde. Tirei o cadeado à bike estacionada do lado de fora do bar e... ora deixa cá ver


Chuvisca e faz frio durante grande parte do ano e, todavia, há ciclovias por todo o lado. E há tantas pessoas que se deslocam de bicicleta. E quando não há ciclovias as bikes cruzam com carros e outros veículos com grande naturalidade. Aluguei uma bike e andei por lá sem apanhar qualquer susto com eléctricos, carros, metro de superfície, ciclistas, peões em magotes nas praças e ruas .... Há um entendimento, um cruzar de olhares com os outros e, num ápice, nós e os outros calculamos uma trajectória, damos um balanço, paramos (nós e os outros) meio segundo e tudo flui. O nosso cérebro é muito bom nisto. Os computadores podem fazer cálculos numéricos em pouco tempo, deixando-nos com a impressão de limitação mas, nisto, na previsão de trajectórias que mudam a todo o tempo, num balanço que se prevê porque há outro ciclista, ou peão, ou carro ali ao lado, num pestanejar ou esgar no outro que indica que avança, nisto, o cérebro deixa os computadores a um canto.

A praça do mercado. Dos edifícios do mercado de tempos passados (desde gado a víveres) resta o da direita, onde hoje funciona uma feira de artesanato.


Na mesma praça à noite com frio e chuva e as esplanadas (toldos à esquerda com aquecedores de rua) cheias de gente em amena cavaqueira e beberiqueira



Ali perto, no "colégio Maius" está a reprodução de um livro em que numa das páginas tem um rabisco, círculos concêntricos feitos por Nicolau Copérnico há cerca de 500 anos (com base em cálculos dele próprio). No centro, Copérnico colocou o Sol e, nas órbitas à volta, a Terra e outros planetas. Foi um virar de página na nossa civilização.  Um dos momentos em que tudo ficou virado do avesso. A Terra afinal não era o centro do Universo. Imagino quão perturbadora deve ter sido esta ideia para a maioria das pessoas. Como é que isto podia caber na cabeça? Não coube durante muito tempo.
Cá está o desenho de Copérnico.


Ah, é verdade.
That´s my bike !



Um estilo inconfundível: barrete à maneira, calça arregaçada .. .


Desta vez consegui uma bike de montanha, muito mais manobráveis que as de cidade com cestos sobre a roda. É que com a falta de tempo iria andar sobretudo por praças e ruas muito movimentadas.


No dia anterior, após o trabalho, tinha dado uma volta rápida à procura de uma loja de aluguer de bikes. Hoje tinha pouco tempo antes de iniciar a  viagem de regresso. Tive sorte, dei uns passos e vejo uma bela bike à porta de uma loja. Deixaram-me tirar uma foto na bike com a promessa que voltaria no dia seguinte para alugar uma bicicleta durante um par de horas.


Voltei ao azul e a visão das montanhas ao longe, por debaixo das nuvens,  quase que apagou a memória dos empedrados húmidos das ruas de Cracóvia por onde tinha pedalado e começou a embalar a imaginação para as pedaladas nas cumeadas das serras




Sem comentários:

Enviar um comentário