quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A barragem de Sta. Luzia, o coração do Açôr e o Vincent das noites estreladas

Agosto 2017

Serra do Açôr


Mil. Um milhão. Um Googol. Um Googolplex de fotografias que já por aqui tirei. E cada nova fotografia é isso mesmo: nova. Não se repetem porque cada momento é irrepetível. E a fotografia fixa o tempo, o momento. Ora é a luz, ora é o vento, ora isto, ora aquilo, a cor do céu e da superfície da água, as sombras, o silêncio, ou o vôo das aves que por ali esvoaçam ... tudo torna o momento peculiar. E, quando vejo a fotografia, a memória traz-me muito disto que não se vê na imagem (embora, estou convencido, que, por vezes, quem apenas vê a fotografia pode pressentir o silêncio ou o vento que sopra, entre outras coisas).

A barragem de Sta. Luzia no coração da serra do Açôr (como toda a gente sabe as serras não têm coração, embora às vezes tenham maus fígados).


Ao entardecer, à medida que o Sol declina e se põe por detrás dos penedos, começa a transformação.
O xisto aparece dourado, nuns amarelos a puxar para os girassóis do Vincent


mas, logo depois, transmuta-se em azuis



Às vezes bem nítido o contraste em ambas as margens.


Aos cerca de 600 m o olhar viaja pelas serranias fora até encontrar o planalto granito da Estrela, imponente, aos 2000 m, na linha do horizonte.


Nas costas, o vale da ribeira que nasce na barragem, ladeado pelos penedos que a sustêm. É o outro lado.



Mas azuis, ah Vicent talvez estes nem tu. Nem tu Vicent os transportarias para uma tela.



Quando baixo o nível da água, como ocorreu este ano, há segredos que vêm ao de cima: as casas da aldeia do Vidual de Baixo, desaparecida, riscada do mapa há dezenas de anos com a subida das águas.



Isto é real



Quem vem e pedala de Este para Oeste pela estrada que vem da Portela de Unhais e nos leva ao Casal da Lapa and beyond.




E que ironia esta. Ponho para aqui estas fotografias líquidas estando eu num local seco, quente, na noite que recebe brisas que vêm do deserto arábico, ali ao lado.

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