sábado, 9 de dezembro de 2017

nous sommes du soleil ... às vezes

Dezembro 2017

nous sommes du soleil,


(do álbum Tales from Topographic Oceans dos Yes)

du soleil. Vá, agora todos: nous sooooooommmmes du soleeeeeeil, du soleeeeeeeeeeil.

Vim uma vez o Yes, há uns anos, no coliseu do Porto. Uma coisa como deve ser, sentado confortavelmente na terceira fila, a meia dúzia de metros dos músicos. Não estava o maluco do Rick Wakeman nas teclas. Mas ainda bem, quando põe os dedos teclas nunca mais pára, sempre a mexer os dedos. Na época áurea dos Yes, o Rick Wakeman era conhecido por se rodear de uma parafernália de teclados, tocando-os todos ao mesmo tempo com tudo o que podia, com as mãos, com os pés, a ponta do nariz, a ponta da ... quer dizer, os cotovelos. Era impressionante. Mas, no concerto do Porto, tão perto que estava, pude ver os olhares cúmplices entre eles, os gestos, o movimento, a organização ... coisas que gosto de perceber (interessa-me pois, há anos trás, toquei num grupo de baile) e que para quem assiste ao concerto não tem qualquer interesse. Por isso não gosto de concertos em que estou a mil km do palco e apenas vejo ou o écran (sem piada) ou umas figuras ao longe. No Porto pude apreciar a classe do Steve Howe, a tocar impecável num território no palco só dele, as guitarras alinhadas sobre um tapete persa. Ver o esforço do Jon Anderson (os anos já pesavam nas cordas vocais) a fazer a voz invulgar que a natureza lhe deu.

Mas, du soleil ...
... às vezes. Outras, do luar


(Oblivion, Astor Piazzolla)

Ouvir Piazzola em frente ao Mar (rio) de la Plata, quer do lado de Montevideo quer do lado de Buenos Aires. À noite. Tempos em que ia para aqueles lados. Entranhou-se-me no corpo aquilo tudo (a música misturada com a luz reflectida no mar, a brisa e os sons que vinham da cidade, o empenhamento na amizade que ali se sente ...). Um dia hei-de voltar ao Sul.

Um dia, Vuelvo Al Sur




Du soleil ou do luar ...
ou tudo misturado, como na fonte fria, num dos caminhos da floresta na serra da Lousã. O Sol nas folhas e o luar no reflexo à superfície da água.
Pedalo por aqui muitas vezes e, embora de acesso relativamente fácil, em todos estes anos, as únicas pessoas que por aqui encontrei foram uns Ingleses (Profs na Universidade de Coimbra) que, aliás, na altura, e dada a beleza do local (nas suas palavras), confessaram a sua supressa por nunca encontrarem por ali alguém. Foi, pois, uma troca de surpresas (e gargalhadas, by the way).


 A fonte, naquele local, é uma construção impressionante. Tenho uma teoria para isso.


O Sol andava lá por cima, a ser colhido pelas árvores.


Segui, pois, caminho do Sol. Caminho temporário, como é sabido, dali a 2 min a luz andaria noutro sítio.


Para Oeste. O Sul é dado pelo Sol nas árvores. Não foi desta que fui para Sul.





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