domingo, 22 de maio de 2016

A las 5 de la tarde

Serra da Lousã
(Maio 2016)

Eran las cinco en punto de la tarde e o dia estava branco. O céu era branco, excepto algumas nuvens cinzentas sobre a serra, uma luz difusa inundava tudo à volta como se estivéssemos a olhar através de óculos embaciados.

Eran las cinco en punto de la tarde de un sábado de Mayo quando comecei a pedalar pela serra acima. Para os lados do marco geodésico do Pessegueiro. Antevia as nuvens baixas a varrer o planalto. Por isso, pedalei nervoso até lá. Apenas me detive por uns instantes a olhar os troncos das árvores cortados às postas (estas para assar, seguramente).


e a cumprimentar o único público que vi à beira da estrada.


No planalto, aos 600 m de altitude, o tempo estava fechado. Pior do que tinha previsto. Mal distinguia as pouquíssimas árvores que o limitam. Mas não via aquela paisagem como uma desolação, antes como uma paisagem nova


e a road to nowhere


Não conhecesse bem o terreno e ter-me-ia perdido. À medida que subia o nevoeiro adensava-se cada vez mais. Apesar do vento, sentia-se um silêncio e um isolamento intensos. Nem a presença de animais percebi. De vez em quando passava um pardalito atarantado, a esvoaçar de modo errático, uma asa para cada lado, em vez dos harmoniosos bailados habituais. Às tantas, também eles perdem a orientação.
Pouco depois, aos 850 m, cheguei à floresta pelo estradão que a atravessa a partir do Pessegueiro.
Um deslumbramento.


Fiquei por lá bastante tempo. Bem sei que a luz muda o ambiente que nos rodeia e engana o cérebro, confunde os padrões que temos já inscritos com base na experiências semelhantes. E. se nos distraímos, se não olhamos com olhos de ver, vemos não o que nos rodeia mas o que já temos inscrito no cérebro. Isto acontece no dia a dia com uma frequência que a maioria da pessoas nem sequer de tal suspeita.

Fiz vários vídeos. Vou colocar aqui alguns. Noutra altura talvez publique outros. Alguns têm mais que 2 minutos. São longos. Mas, tirando alguns percalços (monta e desmonta, trepidação e dedos à frente da ocular, transições bruscas ...) com alguma paciência podem ver-se momentos em que se percebe a beleza da floresta impregnada de nevoeiro.

É um convite a alguém que por aqui passe para dar um passeio.


Depois, embrenhei-me um pouco pela floresta. Vamos?



Fui-me embora dali (a las 7 en punto de la tarde) pelo estradão que vai dar ao Terreiro das Bruxas. O caminho abria-se à medida que pedalava.


O silêncio, para além da bike, era cortado de vez em quando pelo canto de um pássaro. Provavelmente o mesmo que me acompanhou durante umas centenas de metros. Andaria por ali, a esvoaçar de ramo em ramo.




Depois, o nevoeiro começou a condensar, formando uma cortina ainda mais húmida.  É aquela sensação de começarmos a sentir a humidade nos lábios e na boca. Como num beijo. A partir dali iria descer e arrefecer. Foi um fenómeno estranho. Estavam 22 °C no sopé da serra, à partida. Agora, ali, o termómetro marcava 10 °C. Acho que nunca assisti a um arrefecimento tão brusco. Cheguei ensopado. Não porque chovesse mas porque a velocidade da descida fazia com que fosse ao encontro das pequenas gotas de água suspensas na atmosfera. Por outras palavras, não era a chuva que caía era eu que me atirava para cima da chuva. E, apesar do frio, atirava-me com grande prazer.









2 comentários:

  1. Aconteceu-me o mesmo ontem na Serra d'Aire e Candeeiros. A neblina torma a serra misteriosa, mas perde-se a beleza das paisagens :)

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