quinta-feira, 27 de julho de 2017

O dia tem que terminar de alguma maneira; desta vez embrulhado em nuvens de cinzas

26 Julho 2017

Serra da Lousã


De novo um céu negro, cataclísmico, sobre a serra. Num fenómeno curioso a nuvem gigante de fumo e cinza elevava-se a uma altitude bem definida. Vinha do incêndio de Penacova empurrada pelo vento Norte. O Sol, ao pôr-se, espreitava por debaixo da mancha negra. Enquanto filtrada e dispersa pela nuvem a luz inundava de um amarelo estranho, um amarelo irreal, uma cor que deve ter ficado impressa (a fogo!!!) no nosso cérebro hominídeo durante a evolução porque imediatamente nos põe em sobressalto. Não sabemos o que é mas sabemos imediatamente que é alguma coisa ameaçadora.
Mas não uma ameaça dos rol das conhecidas, das normais, como por exemplo tempestade.





Caía uma cinza que, à medida que pedalava, ia pousando nos meus braços. A nuvem ia-se metendo pelo cimo dos vales. Percebia-se um véu translúcido que começava a cobrir o cimo dos montes. Isto amanhã vai estar mau. Se o incêndio não é apagado durante a noite lá vamos acordar no meio de uma nuvem de cinzas e fumo. Foi o caso.

Nota técnica sobre o fogo: para iniciar a reacção química da oxidação da matéria orgânica na presença de oxigénio é necessário ultrapassar a energia de activação da reacção (já agora: a energia da luz do Sol não é, em regra, suficiente).

Experiência demonstrativa: ponham-se umas folhas de eucalipto ou caruma de pinheiros ao Sol na varanda (ou na janela) num dia quente de Verão e espere-se pela combustão espontânea. Vá-se à vida sem stresse e espere-se.
Passados uns dias volte-se ao local. Tudo na mesma? Nesse caso acenda-se un fósforo e aproxime-se a chama das folhas. Observe-se. Há fogo? Então a energia da chama do fósforo forneceu a energia de activação necessária para iniciar a combustão das folhas.

Conclusão: 3x9 são 27 noves fora nada




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